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Friday, January 30, 2009

“A vida é uma pedra de amolar: desgasta-nos ou afia-nos, conforme o metal de que somos feitos.”

Bernard Shaw

Emílio Fernandes Rodrigues

Podia falar dos problemas de Cabo Verde, como por exemplo: o saneamento básico, se atendermos ao facto da percentagem de rede de esgotos, por exemplo, ainda ser insuficiente, e a do lixo ser enorme, sobretudo em Santiago; ou então do proliferar de viaturas e mansões sem obrigatoriedade de apresentação de justificativos de proveniência do dinheiro; já para não cair na banalidade da crítica a Electra que não consegue ter um plano técnico, financeiro e comercial para cerca de 250 mil pessoas, ou melhor cerca de uma centena de milhar de habitações, o que comparado com uma cidade africana, que não queremos ser, como Dakar (mais de 2 milhões de pessoas), por exemplo, representa a grande quantia de 12% da sua rede de abastecimento; podia ainda ser apenas mais um idiota na crítica a TACV, ao Governo, a Oposição, aos Partidos Políticos na globalidade, aos ditos sistemas e subsistemas as quais nunca percebi se quer o que são, permitam-me tal ignorância; podia dizer da Alfandega, aquela, uma das mais democráticas do mundo, que enriquece o Estado mas também bondosa ao ponto de não esquecer alguns dos seus fiscais e outros colaboradores, que mesmo assim nem se inquietam que em pleno 2008 nem um computador exista no caixa; podia pois elencar mais uma centena de problemas, deficiências, incapacidades e incompetências, se é que são esses os nomes. Mas não, não o farei, nem hoje, nem nunca. Sempre que vier criticar, darei soluções. Ouça quem quiser, use-a quem quiser.

2009 deve ser um ano de valorização e reconhecimento. Temos que começar a reconhecer, a elogiar, a motivar, todos os que são competentes, dedicados e produtivos. Temos que ter coragem de não cair no ridículo de uma postura fundamentalista negativa, sem perder a sobriedade, a independência, a democracia da crítica, da sugestão do melhoramento progressivo e evolutivo. Temos que aceitar os pequenos feitos, os pequenos gestos, as pequenas obras, as ínfimas bondades, os mínimos realizados tendentes a evolução e desenvolvimento da parte e do todo nacional.

Ser corajoso, mostrar que sou isento, descomprometido, independente e democrata, não significa ter lança única, direcção contínua, e complexo permanente. Coragem, valentia, audácia, arrojo, bravura é bater palmas a quem merece, reconhecer o mérito, fazer vénia com orgulho do produto resultante do outro, sem complexo nem amarguras no canto da boca, ou do coração, por não ser meu, o feito.

Permita-me apelar ao sentimento nacionalista que há em nós cabo-verdeanos. Esta terra não deve ser só defendida e recomendada quando falamos com estranhos ou estrangeiros. Devemos perder a demagogia, a hipocrisia, a representação falsa dos sorrisos a tudo e a todos na sua face e o enrugar da testa e dizer mal na ausência. É tempo de ganharmos maturidade séria, rigor tácito, intolerância descomplexada face aos erros assim como o reconhecimento público e verdadeiro aos que realmente são capazes e deixam legado claro e inequívoco.

Que em 2009, sem qualquer, nenhuma, pretensão demagógica ou pseudo-intelectual, nos arrepiemos, nos tocamos, nos consciencializemos, choremo-nos, riamo-nos, ponhamos os cinco sentidos em sentinela e accionemos reacção aos mesmos sem prisão à memória.

ou diferente, que não o mero reconhecimento das capacidades instaladas no país, nomeadamente, aqueles que têm contribuído para o desenvolvimento e progresso de Cabo Verde.

Veríssimo Noé Monteiro Pinto. Chamaram-lhe miúdo, despreparado e tudo mais que alguém sentiu e disse na altura. Obrigado João Serra, pela confiança e visão, ganhou Cabo Verde com isso. Cotou dois bancos, BCA e CAIXA, cotou a Tabaqueira e a Petrolífera nacionais em processos de privatizações, cotou e colocou no mercado Obrigações de um grande grupo nacional como é a Tecnicil, cotou obrigações de um terceiro banco nacional, o Interatlântico, realizou a maior operação financeira da história do país, em conjunto com o BCA, como é a reestruturação da dívida da Electra, formou a massa crítica financeira nacional, enfim, entre vários outros ganhos que o país começou a ter com a vigorosidade, tenacidade, dedicação, espírito de sacrifício, e competências desde jovem que orgulha e motiva outros nesta caminhada. Obrigado Veríssimo.

Carlitos Fortes, competência, dedicação e honestidade. Conduziu os destinos da Moave de forma exemplar. Quantas outras unidades de produção não tivemos nós, e que faliram sem razões, justificações nem responsabilização? É um exemplo nacional de Gestor. Mobilizou-se na operação do empresariado nacional na batalha do ganho da condução dos destinos da Sociedade Cabo-verdiana de Tabacos, disponibilizou-se para ajudar a Electra, melhor ainda, retirou-se com hombridade quando viu que não tinha como ser uma mais valia a esta instituição, na medida que tinha outras responsabilidades nas mãos. A isto chama-se maturidade discernimento e postura. Alguém já se lembrou de o premiar? Se não, fica aqui a deixa. Já agora, boa sorte ENACOL.

Maurício de Carvalho, estrangeiro de Portugal, mas hoje, cabo-verdeano de morada, homem dito difícil, pela simples razão de ter um carácter e uma personalidade vincada. Dono absoluto da maior Montra Nacional jamais feita: Nha Terra Nha Cretcheu e Top Crioulo. Alguém já parou para dizer obrigado a este Senhor? Não peço uma medalha, pois este é feito de metal e o país tem as suas dificuldades, mas, umas palavras e acho que o Senhor já ficaria contente, já que deixou as mordomias e gentilezas de Cascais pela beleza do cru cabo-verdeano.

Podia aqui explanar uma centena de personalidades que motivam e cativam muitos de nós, cujos seus trabalhos são inequívocos quanto ao ganho e ao benefício à nação, sobretudo jovens, capazes e audazes que abundam neste país: Abraão Vicente, pela bravura de sua personalidade e sentido criativo; Edson Medina, pela sua capacidade e firmeza de suas convicções, Milton Paiva pela maturidade precoce que sempre o caracterizou, Lenine Lima, pela inteligência e serenidade que ostenta, entre centenas de outros tantos outros jovens de igual mérito e destaque.

É motivante conviver de tão perto com tantas capacidade e competências instaladas. Por isso, apelo ao tempo da valorização da competência, dos que trabalham, dos que produzem, dos que constroem, dos que descomplexadamente, sem hipocrisia, sem nacional porreirísmos ridículo (como diria Edson Medina), sem falsidade e sem medo de meter o dedo na ferida que mais dói, usam da palavra, dos actos e do seu comportamento para serem agentes de produção activa e positiva à nação cabo-verdena.

Que nenhuma menção aqui seja compreendida como algo acabado, este texto têm a pretensão simples de dizer, olhemos para o lado, recusemos impiedosamente os medíocres e reconheçamos e valorizemos sem complexos os capazes e audazes. Que as não menções sejam entendidas como subentendidas.

Os críticos, como alguém já disse, ficam na história sempre como os críticos, só os que realmente produzem escrevem o seu nome próprio. Bernard Show disse um dia que: “a vida é como uma pedra de amolar: desgasta-nos ou afia-nos, conforme o metal de que somos feitos.


Emílio Fernandes Rodrigues
Marketeer

Wednesday, May 21, 2008

Marca Cabo Verde IV

Identidade da Marca - Cabo Verde Vs. Vantagens competitivas

Relacionando o Diamante de Porter com o estado actual de Cabo Verde, facilmente se conclui que a situação competitiva é regra geral débil:

- Os factores de produção (mão de obra, infra-estruturas, investigação) são frágeis;
- A procura interna global é reduzida e pouco exigente, devido a falta de liquidez;
- As empresas são pouco organizadas e pouco eficientes, com grandes lacunas estratégicas e falta de recursos, pelo que não geram elevada produtividade nem competição;
- Dado que não há indústrias fortes e competitivas, também não há pressão sobre as empresas fornecedoras e relacionadas.

Por outro lado, a História recente e o presente do nosso País, muitas vezes marcada por guerras políticas e pobreza, faz com que ainda não se tivesse constituído uma classe empresarial suficientemente sólida e dinâmica, capaz de promover o desenvolvimento das industrias, e que os Governos, também não tivessem disposto dos recursos necessários para apoiar este esforço, através de subsídios, infra-estruturas, investigação, planos de educação e de formação profissional, etc.
Contudo, subjacente a necessidade do país criar uma vantagem competitiva, dinamizando o seu sistema ou “diamante”, segundo o Porter, e face a estas carências referenciadas por Cabo Verde, a criação da identidade da marca - Cabo Verde, aqui proposto, poderá ser o motor de arranque para a dinamização do diamante.

A identidade da marca – Cabo Verde cria as condições para a existência de mais ou melhores factores de produção atraindo investimento estrangeiro apoiando a internacionalização das empresas nacionais, aumenta as condições da procura, pois, cria e/ou molda uma imagem que credibiliza o país, potencía o país enquanto destino turístico e cultural e aumenta a auto-estima da população. A concentração estratégica do país em determinadas indústrias poderá permitir o aumento da rivalidade entre as empresas, fomentando as suas capacidades de inovar, atributo essencial para a produtividade e consequente construção de vantagens competitivas dos países.

A metodologia marca - Cabo Verde, e sua identidade, aqui proposta, funciona como um combustível ao diamante de Porter, cria os seus atributos ou pelo menos estimula a sua existência, acelerando e dinamizando o sistema.

Esta reflexão em pública voz tem o único propósito de contribuir para a consciencialização da necessidade de apostar na construção de uma identidade, como vector de aproveitamento do potencial de uma País, que encara qualquer driving force como uma oportunidade de se afirmar, construindo vantagens competitivas sustentáveis.

Se quisermos um exemplo do que aqui foi explanado, tínhamos a Alemanha como tal. Quem passou pelo que passou nas grandes guerras é o que é hoje fruto de um posicionamento claro e inequívoco da sua ambição. Tecnologia. A nossa será o resultado entre o cruzamento das nossas forças e ambições.

Emílio Fernandes Rodrigues _ Marketeer

Bibliografia:
Aaker,D.A. (1996) Building Strong Brands. New York: The Free Press.
Kapferer, J.N. (1995). Strategic Brand Management. New approaches to creating and evaluating Brand Management. London: Kogan Page.
Porter, M. E. (1990) The Competitive Advantage of Nations. New York: The Free Press.

Marca Cabo Verde III


Identidade de marca


Por identidade entende-se o conjunto de valores e características que se pretende ver associadas, pelos diversos públicos-alvo. Segundo Aaker (1996), a identidade de uma marca deve ser gerida sob quatro perspectivas: enquanto produto, organização, personalidade e símbolo.
Dadas as especificidades da temática marca - Cabo Verde em contraposição com a usual marca comercial, pensamos que deverá ser construído um sistema absolutamente coerente que permita a concepção da marca - Cabo Verde, enquanto pessoa (aspecto social / cultural), símbolo, organização e enfoque estratégico:

- Como pessoa, a marca - Cabo Verde pode ser trabalhada em função dos objectivos que se pretendam atingir. Em termos genéricos pode optar-se por apostar em determinadas características: O nacional-tipo de Cabo Verde é competente, organizado, verdadeiro, divertido, activo, sóbrio, inteligente, acolhedor, trabalhador determinado, etc.;

- Como símbolo, o país pode trabalhar / enfatizar os elementos simbólicos já existentes, como sejam a bandeira, o hino, determinadas individualidades, etc. Pode ainda optar por alterar alguns desses símbolos. Outros países constroem novos símbolos que enfatizem determinados aspectos da sua identidade (exemplo Espanha);
- Como organização, o país pode estar associado a determinadas características: formas de organização das entidades públicas (maquina administrativa e legislativa), a burocracia, as imposições governamentais em torno da qualidade (certificação, preocupações ambientais, etc.), os sistemas de apoio às empresas (vias de comunicação, acesso a redes de dados, sistema de ensino, infra-estruturas de saúde, etc.)

- Como enfoque estratégico, o país tem de escolher determinadas áreas de desenvolvimento, quer em termos geográficos, quer em termos de actividades a apoiar. Ou seja, especialmente em economias pequenas ou débeis, deve claramente apostar-se em determinadas áreas e actividades, de forma a não dispersar recursos. Em trono destas escolhas, desenvolver-se-ão políticas de investigação, bem como infra-estruturas físicas e humanas que apoiem essas indústrias quer na sua instalação (benefícios, vias de comunicação, formação profissional e académica) quer no seu desenvolvimento (apoios à internacionalização, formação, campanhas de sensibilização, etc.)

A identidade que se concebeu deve servir de motor de coerência a todas as decisões estratégicas e operacionais, pois deverá para que, ao longo do tempo todos os públicos internos (população, empresários, intelectuais) focalizem as suas energias e as entidades externas (empresas, governos, financiadores, público) relevantes criem uma imagem do país de acordo com os nossos objectivos.