Search This Blog

Showing posts with label Cabo Verde. Show all posts
Showing posts with label Cabo Verde. Show all posts

Sunday, September 1, 2013

RED FLAG

Depois de ter lido o texto publicado pelo Observatório do Emprego de Cabo-Verde: DESEMPREGO EM CABO VERDE DEVERÁ CONTINUAR A AUMENTAR NOS PRÓXIMOS ANOS E, NO PIOR DOS CENÁRIOS PODERÁ VIR A SITUAR-SE-Á EM TORNO DOS 25%. Publicado no Facebook a 30 de Agosto de 2013 levanto um RED FLAG. Se não, raciocina comigo:

1. O texto começa por condenar de que “Na próxima década Cabo Verde terá uma batalha dura a travar contra o desemprego” alegando que a taxa deverá vir a aumentar e “estabilizando em torno dos 20%”. A análise apresentada centra-se nos números de 2012 do INE, reconhecendo não haver outra fonte de informação no Observatório do Emprego de Cabo-Verde. Estamos condenados quanto aos dados porque “as de 2013 só deverão ser apresentadas no 1º Trimestre de 2014.” RED FLAG #1 – Continuamos com 12 meses de atraso de informação e nenhuma capacidade ou projecto do Observatório do Emprego de Cabo Verde para criar meios alternativos de cruzamento de dados económicos e produção de inteligência e valor acrescentado aos dados do INE . O próprio texto diz: “necessitamos de dados mais frequentes sobre o mercado de trabalho”. Qual o papel do Observatório do Emprego de Cabo-Verde? RED FLAG!

2. RED FLAG #2 – Condenamos o Pais ao aumento da taxa de desemprego apresentando esse resultado como óbvio e natural. “Basta cruzarmos os dados sobre o ritmo de crescimento da população em idade activa, da população activa, da taxa de emprego, e sobre o ritmo de crescimento da economia”. RED FLAG pela ausência de informação categorizada, sistematizada e de inteligência que esclareça os impactos dos sectores e áreas da economia, com cruzamento da actividade económica e emprego. RED FLAG!

3. RED FLAG # 3 - O Observatório analisa e vê apenas o pendor negativo do facto nas “projecções da OIT a população em idade activa em Cabo Verde deverá mais do que duplicar em trinta anos, por causa do aumento da esperança de vida e da significativa redução da mortalidade infantil, mas também por causa da redução dos fluxos emigratórios e à emergência de fluxos imigratórios, estes últimos que são, com expressão quantitativa, uma realidade nova em Cabo Verde.” O aumento da população activa parece que toma como certa uma inércia de políticas de emprego e crescimento económico. Ao que parece estamos conscientes da nossa incapacidade de criar emprego e como a população activa vai aumentar, nada mais natural (simples) do que prever o aumento do desemprego. É certo que se baseiam nas “projecções mais conservadoras do Banco Central onde o ritmo de crescimento da economia deverá abrandar para 1% ou 2%.” Mas importa dizer de que a relação crescimento económico e emprego não deve ser de todo directa e linear simples, pois caso fosse a taxa de desemprego teria diminuído nos últimos 10 anos, ao invés de ter aumentado, acompanhando o mesmo crescimento económico. Convém rever o papel do Observatório. Onde estão análises das relações e correlações entre as apostas económicas e geração de emprego. Portanto pela análise ligeira, simplista e discursiva: RED FLAG!

4. RED FLAG #4 – Académica e tecnicamente apresentam três cenários futuros: pior=25%; intermédio=18%; e melhor=11%. Faz pensar onde está a informação de suporte e base a cada um dos cenários? Em que caso um? Ou como chegaremos ao outro? O porquê da margem de erro e diferenciação ser tão elevada, em que do pior para o melhor existem 14 pontos percentuais? RED FLAG!

5. Red flag #5 – O Observatório do Emprego de Cabo-Verde usa o discurso e repete que se deve “rapidamente desenvolver a iniciativa empresarial ao mesmo tempo que diversificamos a economia e aprofundamos as actividades empresarias que já existem, sobretudo as Micro, Pequenas e Médias Empresas, tudo isto complementado por um conjunto de medidas de políticas activas de emprego”. RED FLAG por não sabermos que sectores geram emprego, que áreas, indústrias e negócios? Onde estão os benchmarkings? RED FALG #5 estende-se pelo facto do texto salientar “Urge ganhar a batalha da competitividade externa, competitividade empresarial e a batalha da produtividade e da qualidade.” Tratar este todo desta forma evidência RED FLAG!

6. RED FLAG #6 - Observatório do Emprego de Cabo-Verde refere que “O fenómeno novo que aí vem é o do envelhecimento da população activa, que trará consigo novos desafios, nomeadamente a nível de todo o sistema de ensino e formação mas também do Sistema de Segurança Social”. Números? Que sustenta essa argumentação? Um olhar para a repartição da população por grupos etários faz tudo ficar mais dificil ainda de entender. RED FLAG.

7. RED FLAG #7 – Apresentar a realidade global como “estamos a viver numa era de desemprego elevado, a nível global... Milhares de jovens em todo o mundo saem das Universidades para o desemprego ou no melhor dos casos para empregos que não correspondem às suas expectativas e nem à formação que fizeram. O Mundo terá de reinventar novas formas de criação de emprego para uma geração...”? Big RED FLAG! Evidência uma análise ligeira, discursiva, com olhar diminuto sobre o mundo. Assim fica dificil sustentar a credibilidade e seriedade de uma instituição a este nível e criada com este propósito. Apenas para ficar claro segue aqui uma lista de 49 países, todos, com taxas de desemprego abaixo dos 5.5% conforme se pode confirmar: Cambodia 0.00%, Monaco 0.00%, Qatar 0.50%, Thailand 0.70%, Azerbaijan 1.00%, Belarus 1.00%, Singapore 1.90%, Papua New Guinea 1.90%, Macau 1.90%, Seychelles 2.00%, Isle of Man 2.00%, Kuwait 2.20%, United Arab Emirates 2.40%, Liechtenstein 2.50%, Tajikistan 2.50%, Laos 2.50%, Brunei 2.60%, Switzerland 2.90%, Andorra 2.90%, Malaysia 3.00%, Gibraltar 3.00%, Norway 3.20%, Korea South 3.20%, Hong Kong 3.30%, Cuba 3.80%, Cayman Islands 4.00%, Bhutan 4.00%, Guatemala 4.10%, Falkland Islands (Islas Malvinas) 4.10%, Taiwan 4.20%, Palau 4.20%, Vietnam 4.30%, Japan 4.40%, Austria 4.40%, Panama 4.40%, Saint Kitts and Nevis 4.50%, Honduras 4.50%, Uzbekistan 4.80%, Ecuador 4.90%, Greenland 4.90%, Mexico 5.00%, Bangladesh 5.00%, Sri Lanka 5.20%, Australia 5.20%, Netherlands 5.30%, Kazakhstan 5.30%, Burma 5.40%, Germany 5.50%, Brazil 5.50%.

E porque o tema continua actual, e porque criticar deve ser pela positiva, fica aqui o meu contributo a problemática do desemprego, publicada na Sexta-feira, 2 de Março de 2012: http://rodriguesemilio.blogspot.com/2012/03/made-in-crise.html

Friday, August 30, 2013

REALIDADE

Com 141.761 alojamentos familiares em Cabo Verde, 15.2% (21.548) estão fechados e vazios. Sem ninguém a morar lá dentro. Claro que 27.9% dos alojamentos familiares existentes no Sal fazem parte desta estatística, assim como 22.3% dos de Mosteiros, 22.7% de Santa Catarina do Fogo e 21.4% da Brava. Terra dos flutuantes sejam eles turistas ou emigrantes. Também verdade que a dimensão média dos agregados hoje em 4.2 demonstra que mais de 60% dos agregados familiares tem até 4 indivíduos, muito diferente dos anos em que dois terços dos agregados tinham um composto bem mais volumoso.

Empurra-se para longe a época em que a farinha dava “nó” e filas haviam a procura de pão nas padarias que hoje se recordam, como as senhoras percorriam quilómetros para não perder mais um capítulo da telenovela. Problemas que hoje são outros já que 73.9% dos agregados tem televisão para ver o que bem lhe entender, 86.5% pode cozinhar e até fazer o seu próprio pão a gás e 58.3% congelar no seu frigorífico, enquanto 62.3% tem rádio para lhe dar música ou quase o mesmo (51.8%) controla e ouve a música que bem entender com o seu aparelho de CD/DVD/VIDEO.

A conversa por cá anda elevada, os textos cada vez mais caprichados e recheados de “Damn I’m so smart”. Inteligência essa que brilha tanto que até nos ofusca de tanto esplendor. Meus olhos pestanejam e de entre o turvo e o sol brilhante flashes em tons de branco e preto se fazem lúcidas como os alojamentos ditos não clássicos de S.Vicente e Sal. Únicas ilhas em Cabo Verde com mais de 4% dos seus alojamentos em barracas, garagens, fábricas, etc., segundo o INE (Censo 2010); os 45% de residências que não tem água canalizada de rede pública; pior ainda vejo os outros 35,2% que não têm sanita nem latrina, sendo que na Boa Vista adorada do turismo o percentual eleva-se aos 43.7% dos alojamentos. Onde andam esses excrementos?; talvez bem lavados pelos 55% de alojamentos que possibilitam o famoso banho de caneca aos seus residentes; cuja evacuação desses resíduos líquidos se faz em 62.7% ao redor da casa ou na e pela natureza; tudo isso explica a razão das rendas 48% dos lares em Cabo Verde serem abaixo de 10.000ecv e um total de 80% inferior a 14.999ecv.

Mais de 65.8% de nós ainda se encontra no ensino básico, outros tantos no Facebook e mais outros nas calçadas dos dias e das noites nas suas labutas e motivações diversas de cada um. Realidade.

Thursday, August 29, 2013

REALIDADE

Seja Benvindo à vida real. Onde a Tancha continua a viver no bunker do Alto São João; Silvina na entrada de Cascabudjo; Paulino encalhado em Tarrafal de Monte Trigo; Fatinha fincada na barraca de Sal Rei e Juvino na fundo Cobon. Todos parte da vida real, nua e crua, sem qualquer alarido e que não obedece a padrões nem pretensões. Na mesma vida real também vive os com pedigree, os chiques, intelectuais, empresários, patetas, palermas e parasitas, carochos e trolhas, de entre vários outros e os políticos.

As teorias e as evoluções sociais estão bem estudadas. Já agora e também para o showoff habitual fica aqui registado de que todos podem ler e conhecer Durkheim, Weber, Smith, Aron, Parsons, Pareto, Marx, Keynes... apenas alguns e porque tudo o resto é cognoscível. Mas Peirce já dizia que a primeridade é a possibilidade e passibilidade de existência de algo, seja ele um pensamento ou sentimento, ainda antes se quer de este se mostrar possível ou passível de existir. Aqui nada existe mas tudo existe. Não há signos, sinais nem símbolos, mas sim as suas possibilidades e passibilidades de existência.

Hoje um quer ser outro, outro quer ser entendido como outro que ele ou ela aspira ser, muitos querem mostrar a outros que estão com outros e a maioria são outros. Os chiques criarão novos conceitos e nos tags do que carregam consigo passaram a marcar o seu pedigree, mas os que reivindicam deter pedigree de essência se distanciam recentrando no casual classic para uns e góticos ou punks para outros. O eterno jogo do gato e do rato. Assim se vai na vida, assim se vai na escrita e assim se tem vivido.

Existem 335.692 indivíduos com mais de 15 anos de idade em Cabo Verde, dos quais 177.297 pessoas activas ocupadas, 137.227 consideradas pessoas inactivas e 21.168 desempregados. Se pelo menos 20% desta população, mais de 67 mil indivíduos, lesse os Jornais da praça, tivessem facebook, fossem clientes dos K’s da terra e carregassem consigo o traje chique, smarthphones e ou soubessem assim tanto da tecnologia de transporte, a economia Caboverdiana cresceria no mínimo mais 2%. Fazendo conta de merceeiro é só somarmos os impactos na energia, água, telecomunicações, combustível e a movimentação financeira e de inumeros outros bens e serviços, para chegarmos a estes mínimos.

Ainda bem que o País também tem os que criam, que constroem, que acordam pela madrugada ou nem dormem para que o amanhã traga peixe, fruta e pão fresco nos mercados. Os que se endividam para por um sonho a funcionar e desta forma alimentam famílias e famílias de todos os que trabalham nos projectos.

Friday, March 2, 2012

Made in Crise

Criar Emprego

A criação de emprego e a sua estabilidade é uma prioridade fundamental de ontem, hoje, amanhã e sempre. A economia mundial mais do nunca recentra a sua atenção em torno do estabelecimento de políticas para a criação e estabilidade do emprego.

Na zona Euro, a taxa de desemprego atingiu em Dezembro 2011 os 10,4%, com mais de 16,5 milhões de pessoas no desemprego. Valor mais elevado desde Junho de 1998, antes da introdução da moeda única. A excepção na Europa vem da Alemanha, onde tem havido uma tendência de queda do desemprego, atingindo em Janeiro 2012 valores históricos de 6,8%, o nível mais baixo desde a reunificação, superando mesmo as expectativas do governo Alemão, na retoma da economia. Já em Portugal, a taxa de desemprego subiu para 13,6%, ultrapassando os 13,1% de Cabo Verde, constituindo-se mesmo como a quarta taxa mais levada na zona Euro, depois da Irlanda, Grécia e sobretudo Espanha, que é o pior deste grupo com cerca de 22,9% de desemprego.

Ao contrário da Europa, tem havido uma forte queda do desemprego nos Estados Unidos, com os resultados de final de Janeiro, a evidenciar uma queda para 8,3%, depois de se ter assistido alguma pujança desta que é a primeira economia mundial, com o nível das contratações a atingir o seu ritmo mais elevado dos últimos nove meses, com mais de 243 mil novos empregos acabados de serem criados no passado mês de Janeiro. Hoje o desemprego situa-se no nível mais baixo desde Fevereiro de 2009. Os dados revelados pelo governo norte-americano, revelam um forte crescimento de empregos na área dos serviços, com a criação de 176 mil postos de trabalho, seguido da indústria com 81 mil, construção com 21 mil e as vendas a retalho com mais de 10 mil. Curiosamente no mesmo período a administração pública despediu 17 mil funcionários.

Em Cabo Verde, infelizmente a monitorização e disponibilização da informação com relação à evolução do emprego não é corrente. Todavia, a última informação pública indicava uma taxa de desemprego 13,1%, com 15,1% no meio urbano e 9,2% no meio rural. Segundo dados do INE, os resultados por ilhas indicam uma taxa de desemprego mais elevada em São Vicente com 19,2%, Maio 17,8% e Praia 17%. As demais regiões apontam para Interior de Santiago 6,7%, Brava 9,4%, Sal 10% e Boavista 11,6%. Desta forma, para uma população activa de 194.358 indivíduos, estarão cerca de 169 mil pessoas empregadas e 25 mil desempregadas.

A situação global evidencia a complexidade da problemática do emprego, porém, devemos ser realistas nas várias abordagens possíveis, e sobretudo precisamos desacreditar alguns mitos sobre o que é necessário para estimular o emprego.

SOLUÇÕES INSTANTÂNEAS

É titânico a escala deste desafio. Naturalmente, acções rápidas são importantes e muitas vezes determinantes, mas lembremo-nos de que a economia é dinâmica, pois perde-se todos os dias emprego em qualquer parte do mundo, ao mesmo tempo que se criam outras tantas. Por exemplo, não obstante a dinâmica americana, os EUA perderão mais de 7 milhões de empregos nos últimos dois anos, o que impõe uma necessidade de criação de cerca de 200 mil novos empregos, líquidos, mensalmente e durante dois anos, para puder repor a taxa de desemprego na casa dos 5%, considerados como “normais”. Portanto, soluções instantâneas, focadas apenas no imediato não são suficientes. É preciso haver uma clara mistura de políticas estruturadas para fundamentar este desafio económico-social. O combate ao desemprego, definitivamente, não é um sprint, mas sim uma maratona.

CHAVE PARA O EMPREGO

Naturalmente, o emprego é gerado principalmente pelo sector empresarial, tanto pelas grandes como pelas pequenas e médias empresas. Normalmente, grandes empresas representam menos de 3% do total do tecido empresarial, mas garantem o emprego à grandes números de trabalhadores. Também é verdade de que o ritmo de criação de emprego depende muito da dinâmica de criação de mais empresas, muitas vezes médias, pequenas e micro negócios. Estas, apesar de individualmente criarem menor número de empregos, no global, é maior a sua dinâmica, o que mitiga os riscos dos grandes negócios, alarga a base da economia e acaba sempre por mais rapidamente criar empregos. Esta diversificação da economia pelos vários sectores e ramos da indústria e serviços, como são novas tecnologias, fabricação de produtos, transformação de produtos, turismo, construção, imobiliária, serviços locais como cuidados de saúde, educação e tantos outros, são decisivos para o sucesso, e compreendem um cabaz com grandes e pequenas e médias empresas.

TECNOLOGIA E O EMPREGO

Hoje fala-se muito nas potencialidades das empresas tecnológicas, verdes, biotecnologia, e outras indústrias emergentes, como importantes para a criação dos empregos do futuro. É claro de que seus contributos serão parte da solução, mas, estas indústrias são muito pequenas para criar os milhões de empregos que são necessários, imediatamente. Nesta combinação de embora pequenos, novos postos de trabalho, mais a estimulação de um crescimento amplo do emprego em toda a economia, e particularmente em grandes sectores como o retalho, comércio de uma forma geral, negócios, serviços e prestação de cuidados, é que nós vamos ser capazes de gerar um número significativo de novos postos de trabalho. A inovação e alta tecnologia vão certamente ajudar a crescer o emprego a médio e longo prazo, conforme a nova tecnologia se venha a espalhar em toda a economia e transforme-se noutros sectores maiores, como energia, criando novos modelos de negócios e novos empregos.

PRODUTIVIDADE

É natural, numa análise simplista, dizer-se de que quando uma economia produz mais bens e serviços por trabalhador, “mata” empregos. No entanto, não é bem assim. Enquanto o crescimento da produtividade significa de que as empresas possam precisar menos funcionários a curto prazo, ela estimula ganhos a médio e longo prazo para a economia como um todo. Se olharmos para a evolução histórica, rapidamente constatamos de que desde a revolução industrial, com o aumento da produtividade do trabalhador existe um aumento dos rendimentos e lucros das empresas, o que conduz a maior desenvolvimento da actividade e redução de preços no mercado. A força da produtividade estimula a procura pelos bens de consumo e serviços, melhora as capacidades instaladas e equipamentos, levando à expansão do negócio, da indústria, e a consequente criação de emprego. Tomemos como exemplo os telemóveis. Cerca de 15 anos atrás, eles eram grandes, pesados, caros e trabalhavam apenas nos centros urbanos e com cobertura limitada. Mas, como uma nova tecnologia e com a maior produtividade dos trabalhadores, rapidamente se produziu melhores telefones e ofereceu-se melhor serviço e cada vez mais barato, o que levou a indústria a descolar. Os telemóveis são agora uma necessidade, e isso tem criado postos de trabalho não apenas entre os fabricantes e operadores, mas também de entre os comerciantes, provedores de serviços e ainda a uma nova indústria de desenvolvimento e venda de aplicativos para telefones inteligentes.

EXPORTAÇÃO

Será que o aumento das exportações vai revitalizar o emprego industrial? Talvez! Pode ser que para algumas empresas e para alguns sectores, sim, mas não é tão evidente para a economia global. Embora seja difícil aceitar, reduzir o desemprego não está principalmente ligado ao aumento do negócio e mais postos para as mesmas unidades existentes. Claro que o aumento das exportações fará com que algumas empresas e fábricas possam escalar a sua actividade e aumentar até o número de trabalhadores. Mas, o crescimento de novos postos de emprego virá desta dinâmica mais, cumulativamente, a criação de outros negócios e outros sectores, ou mesmo novas indústrias e fábricas. Um aumento das exportações pode suster o desemprego, mas não é suficiente para impulsionar novos empregos. Nas economias desenvolvidas de hoje, o crescimento líquido de novos empregos não são produtos directos das fábricas mas sim dos serviços. Ainda que seja verdade de que o sector fabril é fortemente importante, não basta só apoiar as existentes, mas também impulsionar outras novas para nascer, assim como no decurso dos seus desenvolvimentos estimular a criação de novos postos de trabalho através das áreas de apoio como são os serviços, tais como design, transporte rodoviário, transporte de cargas e outros ligados à logística e aprovisionamento.

IDEIAS PARA CABO VERDE

I. O papel do estado deverá ser a procura do bem-estar da população. Para isso, é-lhe elementar fomentar o emprego e garantir de que a dinâmica regulação versus mercado funcione e proporcione uma qualidade de vida aos cidadãos. Sempre com base numa perspectiva de sustentabilidade do lado da oferta e defesa dos direitos dos consumidores. Para isso, deve reservar-se à definição da política global, regulamentação dos mercados, sua fiscalização cabal, criação de normativos legais e garantia de seus cumprimentos. É certo de que esta deve ser um dos seus papéis principal, mas, se necessário for, também deve dar o passo à frente e participar na criação de novas indústrias e negócios que possibilitem ganhos inequívocos para o país. Bom exemplo actual disso é o Reino da Noruega que detêm controlo e participação nas principais actividades do país, impulsionando mesmo os seus desenvolvimentos por meios económicos, políticos e diplomáticos. Basta vermos o que está a acontecer connosco no domínio da necessidade de extensão da plataforma continental para além das 200 milhas náuticas, que conta com o apoio deste Reino que é só a detentora de uma das maiores entidades mundiais do up-stream.

II. A necessidade de capital por parte do Estado deve ser entendido não só pela tributação directa e indiscriminada, mas principalmente pela análise do impacto e comparação dos resultados das diferentes perspectivas. Por um lado, nem sempre temos que tributar directamente algumas actividades comercias e ou industriais, desde que estes gerem valor para a economia global, principalmente ao nível do emprego e balança de pagamentos. A colecta de tributação pode ser ganha à jusante e assim reduzimos os custos e barreiras à entrada e instalação de empresas e negócios no território nacional, o que contribui para a competitividade do país. Por outro lado, e com relação à tributação aduaneira, também se pode exercitar quanto aos seus impactos indiscriminados e ou com descriminação positiva, principalmente quando falamos de bens cuja produção não exista em território nacional e da necessidade eventual de se diferenciar regiões que se quer ver desenvolvido em determinadas áreas.

III. Redução da burocracia de registos e criação de empresas, assim como, nas transacções patrimoniais, não patrimoniais e comerciais e ainda a redução da carga de tributação fiscal das empresas, pode e deve também ser objecto de dissertação e comparação de impactos em diferentes cenários. Importa pensarmos como criar condições para a formalização da economia, incentivá-la, para a melhoria da competitividade do país e a consequente redução do desemprego, pela via da instalação de mais e melhores empresas.

IV. Vale apenas olhar para a morfologia das ilhas e deslumbrar existência de mercados e ou regiões específicas e atentar quanto aos seus eventuais merecimentos de tratamentos específicos. Devemos estimular o investimento, seja nacional ou estrangeiro, oferecendo mais-valias reais para maximização do retorno para as empresas, quanto mais não seja na redução dos custos da evolvente. Regiões como Sal e Boa Vista, poderiam ser estudados os impactos numa possível estruturação enquanto ilhas de tax free. Atendendo a evolução turística real existente, poderia contribuir assim para à instalação de mais e melhores unidades comerciais em complemento à actividade turística, dando emprego e aumentado a captação e circulação de divisas, pela via do estímulo ao consumo e novas motivações turísticas em torno das mesmas ilhas. S. Vicente, poderia oferecer isenção de impostos e outras condições de atracção de indústrias de transformação de produtos pesqueiros, agrícolas e animais, a serem extraídos e produzidos em S. Nicolau e S. Antão. Normalmente, estas actividades demandam mão-de-obra jovem, que é o principal problema da ilha, o desemprego jovem. Para além de gerar emprego pode desenvolver ofertas nos pescados, enlatados, produção de bebidas, derivados de frutas e outras leguminosas, com o valor acrescentado da possibilidade de escoamento internacional facilitado pelo Porto Grande e o Aeroporto Internacional. Ao invés de um parque industrial, porque não se fazer de toda a ilha uma zona franca industrial, isento de impostos para as unidades instaladas, ainda que sobre condicionalismos de empregabilidade mínima. O benefício virá não só pelo emprego, aumento do poder de compra, consequente aumento do consumo local, assim como pela melhoria da balança de pagamentos nacional através das exportações. O mesmo cenário se deve aplicar a ilha do Fogo, quanto ao vinho e queijo, na medida em que a ilha está a dar prova da sua capacidade produtiva.

Wednesday, February 8, 2012

Made in Crise

A Dívida

Tem sido corrente se falar da Dívida. Hoje mais do que nunca, este termo que até 2008 estava confinado ao mundo económico-financeiro, caiu na boca do mundo. A Dívida, Pública ou Privada, é o tema do momento. Depois da avassaladora Crise Financeira ter posto à nu às fragilidades da economia real de alguns países, a comunicação social não dá tréguas à dita Crise da Dívida Pública e a escalada dos seus efeitos, dominó, já é de tal ordem que uma sondagem recente do Fórum Económico Mundial o aponta como sendo a tendência que terá maior impacto na economia global nos próximos 12 meses.

Depois da Crise Financeira ter atingido proporções globais, os investidores começaram a exigir rigor quanto à aplicação dos seus fundos, exigindo cada vez maiores taxas às entidades e governos cujas dívidas não dessem garantias evidentes e alavancadas na força produtiva interna. É assim que a Grécia, conhecida pelas dívidas profundas do seu sistema, comportamento fraudulento dos seus contribuintes e gastos descontrolados e não alinhados aos compromissos internacionais, nomeadamente acordos europeus, começa a sofrer quando lhe passa a ser cobrado cada vez mais caro um financiamento. Com a evolução da Crise Grega, a ameaça de extensão dos mesmos problemas a outros países, nomeadamente, Portugal e Espanha, levou a que estes rapidamente iniciassem um discurso de adopção de medidas de austeridade, como forma de mitigar os riscos e reduzir as necessidades de financiamento, procurando garantias de puderem fazer face aos seus compromissos correntes. Hoje estremece os países com economias menos estáveis da Zona Euro, como são os casos de Portugal, República da Irlanda, Itália e Espanha, cujas actuações estão focados na procura de reajustamentos das suas contas com medidas suplementares e na indagação de soluções para suas economias produtiva.

Têm sido colossais os esforços dos países desenvolvidos para trabalharem na sua Dívida. Hoje mais do que nunca estão focados nos riscos e na responsabilidade da Dívida. Este colosso que os países estão a gerir, tem sido árduo e com diferentes avanços e resultados alcançados. A Crise da Dívida da Zona do Euro é apenas a mais recente demonstração de como podem ser tóxicos as consequências que um país pode sofrer, quando a sua dívida é grande e o seu crescimento é fraco. Por isso, partilho convosco um olhar sobre a evolução da Dívida, tomando como fonte estudos da Mckinsey Global Institute.

EUA

Depois do pico das dificuldades enfrentado pelo povo americano, o comportamento das famílias nos EUA tem conduzido a que o endividamento das famílias tivesse caído em 584 Mil Milhões de Dólares, cerca de 4%, a partir do final de 2008 até o segundo trimestre de 2011. Esta redução está fortemente ligada a diminuição da dívida hipotecária e do crédito ao consumo, que representa cerca de 80% desta queda. Os americanos têm aumentado constantemente seus níveis de dívida nos últimos 60 anos, reflectindo o desenvolvimento de mercados de hipotecas, crédito ao consumidor, empréstimos estudantis, e outras formas de crédito. Depois de 2000, o rácio da dívida das famílias disparou, ultrapassando a linha de tendência em mais de 30%. No entanto, a boa nova é que a partir do segundo trimestre de 2011, essa proporção caiu já 11%, dando fortes indicações em como no ritmo actual poderemos voltar a tendência do passado, em meados de 2013.

REINO UNIDO

Embora podemos dizer de que no Reino Unido as famílias também reduziram a sua Dívida, também é verdade de que esta diminuição é mais tímida de que a ocorrida nos EUA, continuando mesmo este rácio a ser significativamente maior do que nos EUA, no pico da bolha. Aqui, a Dívida das famílias em circulação caiu menos de 1%, mas as hipotecas residenciais continuaram a crescer, embora num ritmo mais lento do que antes de 2008. Desta forma tem-se compensado parte da quebra de mais de 25 biliões de libras ocorridos no crédito ao consumo. Embora, o Banco Central britânico alerta para o facto de muitas hipotecas residenciais no Reino Unido poderem estar em apuros. Segundo o Banco de Inglaterra cerca de 12% podem estar em tolerância ou contenciosos, e um adicional de 2% são não cobráveis. Portanto, este processo de tolerância tranquila no Reino Unido, combinado com o recorde de baixa de taxas de juros, podem estar a mascarar riscos significativos que certamente atacaram mais à frente. É verdade que os pagamentos da dívida das famílias do Reino Unido são um terço maior do que os dos seus homólogos nos EUA e 10% mais elevado do que eram em 2000, antes da bolha. Esta estatística é particularmente problemática, porque, pelo menos, dois terços de hipotecas do Reino Unido têm taxas de juros variáveis, que expõem os mutuários para o potencial de subida das taxas de juros no pagamento das suas dívidas. No Reino Unido, urge se proporcionar a redução da Dívida das famílias de forma constante, embora respeitando o tradeoff de não sufocar o crescimento no consumo, que continua a ser o factor crítico do PIB no Reino Unido.

ESPANHA

Em Espanha, desde a crise de crédito, o endividamento das famílias caiu 4% e as acções em circulação da dívida das famílias 1%. Tal como no Reino Unido, as hipotecas e outras formas de crédito continuaram a crescer enquanto o crédito ao consumo caiu acentuadamente. Se por um lado é verdade este crescimento das hipotecas, também é certo de que o número de situações em tolerância e contencioso tem aumentado desde a eclosão da crise. Portanto, mais problemas podem estar adiante. Aqui, cerca de metade das famílias com remuneração mais baixa, com crédito hipotecário, tem nesses custos mais de 40% das suas remunerações, em comparação com pouco menos de 20% para as famílias de baixa renda dos EUA. Enquanto isso, a taxa de desemprego em Espanha é agora de cerca de 21,5%, muito acima dos 9% de 2006. Em Espanha, ao contrário da maioria de outras economias desenvolvidas, os níveis de endividamento das empresas subiram acentuadamente na última década, principalmente, devido a baixa significativa das taxas de juros, após o país aderir à zona euro. Em Espanha, hoje as empresas detêm em dívida o dobro da produção nacional, exactamente igual às empresas dos EUA e seis vezes mais do que as empresas Alemãs. Assim, parece lógico ter que vir a ocorrer alguma redução da Dívida das empresas, nos próximos anos.

RECUPERAÇÃO – Exemplo da Finlândia, Suécia e Coreia do Sul

Gerir e reduzir a Dívida, assim como desenvolver a economia nacional produtiva, em simultâneo, é fundamental para o estabelecimento das fundações de uma economia, com base num crescimento sustentável, a médio e longo prazo. As economias têm de enfrentar este duplo desafio. Bons exemplos da história oferecem-nos lições importantes. Assim, proponho que relembremos os casos da Finlândia e da Suécia, ocorridos na década de 1990, e da Coreia do Sul após a crise financeira de 1997. Todos estes países tiveram situações semelhantes. No caso, a desregulamentação bancária (ou fraca regulação), o que levou a um boom de crédito, que por sua vez alimentou as bolhas de activos imobiliários e outros. Quando entraram em colapso, essas economias caíram numa profunda recessão, e os níveis das suas dívidas caíram. Nos três países, o crescimento económico era essencial para completar um processo de deleveraging a 5 ou 7 anos.

É verdade de que não economias iguais muito menos com mesmo processo de deleveraging. No entanto, quer a Finlândia, Coreia do Sul e Suécia tinham nas exportações uma forma de procurar e melhorar o crescimento económico. Também é verdade de que nas Economias de hoje para além da sua dimensão ser maior, os seus processos enfrentam circunstâncias mais difíceis. Ainda assim, a experiência histórica sugere cinco perguntas que os líderes empresariais e do governo devem considerar como forma de avaliarem as economias e as suas direcções, assim como permitir melhor definição de prioridades.

Estabilidade do Sistema Bancário

Na Finlândia e Suécia, os bancos foram recapitalizados e alguns chegaram a ser mesmo nacionalizadas. Na Coreia do Sul, alguns foram fundidos e outros fechados, e os investidores estrangeiros, pela primeira vez, tiveram o direito de poderem se tornar investidores maioritários nas instituições financeiras do país. Por outro lado, resoluções decisivas quanto aos créditos de risco e mal parados foram fundamentais para o arranque da fase de recuperação económico.

Hoje, o sector financeiro tem merecido particular atenção, principalmente a partir de 2009, no entanto, é certo de que os bancos irão precisar aumentar os seus capitais nos próximos anos para cumprir Basileia III e regulamentações nacionais. Na maioria dos países europeus, a procura de crédito pelas empresas está em queda ou lento crescimento, mas até à data, a oferta de crédito, ainda não foi seriamente restringida. Provavelmente, a continuação da crise da zona do euro, representará um risco de uma contracção de crédito significativo em 2012 se os bancos forem obrigados a reduzir os empréstimos numa fase de restrições de financiamento. Como um deleveraging forçado irá prejudicar significativamente a capacidade da região fugir da recessão.

Reformas Estruturais

Na década de 1990, cada um dos países em crise embarcou em um programa de reforma estrutural. Para a Finlândia e Suécia, a adesão à União Europeia levou a maiores economias de escala e maior investimento directo. Por outro lado a desregulamentação em indústrias específicas, como é o caso do retalho, também desempenharam um papel importante. Na Coreia do Sul também se seguiu um curso semelhante, isto é, reestruturou-se o sector empresarial em grandes conglomerados, o famoso Chaebol, e abriu-se a economia de uma forma ampla para o investimento directo estrangeiro. Estas reformas desencadearam o crescimento através do aumento da concorrência na economia e levando as empresas a aumentar sua produtividade.

As economias mais problemáticas de hoje precisam de reformas adaptadas às circunstâncias de cada país. Por exemplo, nos Estados Unidos, merece atenção a necessidade de simplificação e aceleração das aprovações regulações do investimento empresarial, em especial com relação ao capital e empresas estrangeiras. No Reino Unido deve-se atender ou rever o planeamento e normas de territoriais para permitir a expansão e crescimento das cidades bem sucedidas e acelerar a construção de casas. Espanha deve simplificar drasticamente as regulamentações a volta dos negócios, facilitar a criação de novas empresas, melhorar a produtividade, fomentar a reforma das leis laborais. Tais mudanças estruturais são particularmente importantes para a Espanha, porque as restrições fiscais no quadro da União Europeia impõe ao país limites e contenções da sua Dívida Pública, para estimular a economia. Além disso, como parte da zona do euro, a Espanha não tem a opção de desvalorização cambial para estimular o crescimento das exportações

Exportações

Na Suécia e na Finlândia, as exportações cresceram cerca de 10% ao ano, entre 1994 e 1998. Esta evolução foi impulsionada por empresas exportadoras e pelas desvalorizações da moeda ocorridas durante a crise (34% na Suécia 1991-1993). Desvalorização de 50% da moeda da Coreia do Sul em 1997, ajudou o país aumentar sua participação nas exportações em produtos electrónicos e automóveis.

Hoje, mesmo que as exportações, por si só, não sejam suficientes para estimular uma recuperação ampla, são sempre importantes contribuintes para o crescimento das economias. Especialistas têm recomendado que os decisores políticos resistam ao proteccionismo. As exportações de serviços, incluindo aquelas "ocultas" que os estudantes estrangeiros e turistas geram, podem vir ser chave para o crescimento das exportações no Reino Unido e nos Estados Unidos.

Investimento Privado

Um elemento importante no crescimento na Finlândia, Suécia e Coreia do Sul foi a rápida expansão do investimento privado. Na Suécia, aumentou 9,7% ano durante a recuperação económica que começou em 1994. Adesão à União Europeia fazia parte do ímpeto. Algo semelhante aconteceu na Coreia do Sul depois de 1998, com a queda das barreiras ao investimento directo do estrangeiro. Estes influxos crescentes ajudaram a compensar o consumo privado.

Hoje, dadas as actuais baixas taxas de juros no Reino Unido e nos Estados Unidos, não há melhor momento para se investir. Principalmente, na infra-estrutura, onde existem amplas oportunidades para renovar as redes de energia e de transporte, já em envelhecimento nesses países. Com financiamento público limitado, o sector privado pode desempenhar um papel importante, se as estruturas de preços e regulamentares permitem às empresas obterem um retorno justo.

Crédito a Habitação

Em todos os casos apresentados, o mercado da habitação estabilizou e só começou a se expandir novamente como a recuperação da economia, assim como nos países nórdicos, o mercado de capital também se recuperou. Este desenvolvimento forneceu apoio adicional para uma taxa sustentável de crescimento do consumo aumentando ainda mais o "efeito riqueza" sobre os balanços das famílias. Nos EUA, sem a estabilização dos preços, uma recuperação mais forte do PIB, será difícil, dado que a construção de imóveis residenciais contribuíram sozinhos com cerca de 5% do PIB antes da bolha imobiliária. Por outro lado, habitação também estimula a procura dos consumidores por bens duráveis como electrodomésticos e móveis e, portanto, impulsiona a venda e fabricação desses produtos.

ALERTA

Numa altura em que a recuperação económica é urgente, a crise da zona Euro ameaça a acelerar, a confiança nos negócios e no sector financeiro está em baixo, pode ser tentador para os governante e executivos seniores ficarem sentados à espera de melhores condições macro económicas envolventes, que lhes parece estar para além do controlo de qualquer pessoa. Esta abordagem seria um erro também ele colossal. Os líderes empresariais que entendem os sinais, e os líderes dos governos que saibam estabelecer condições prévias para o crescimento, podem fazer a diferença para os seus próprios resultados e para a economia global.

Wednesday, January 25, 2012

Made in Crise

Made in África


CRISE SÉCULO XIV

Convido-lhe a viajar comigo no tempo e a fazer uma análise diacrónica e sincrónica dos factos. Embarquemos ao Século XIV onde a famosa Crise deste século surge como uma locução que marca um conjunto de factores e eventos ocorridos cuja natureza e amplitude fez acelerar a decadência do feudalismo e o fim da Idade Média, na Europa Ocidental. Nesta altura, os motivos que determinaram este período negro da história Europeia tinham diversas origens, embora se possa afirmar que teve origem na época em que não havia novas terras a serem ocupadas, o que conduziu a estagnação da produção. No sistema feudal uma maior produção significava anexar novas terras. Com a produção estancada e uma população cada vez maior, a fome se espalhou pela Europa. Por outro lado, ocorreu as destruições de florestas e do meio ambiente que já vinham do século XII, tendo como consequência uma série de mudanças climáticas, como por exemplo as ditas severas chuvas ocorridas. Assim, a Europa se tornou vulnerável às doenças, nomeadamente à Peste Negra, dado se encontrar devastada pela fome. Como se já não bastasse, as guerras, como a Guerra dos Cem Anos, também agravou a situação. Causou grande queda demográfica. Desta forma haviam menos pessoas para trabalhar, o que conduziu a que os nobres impusessem uma maior carga de trabalho sobre os camponeses, o que gerava revoltas populares como a Jacquerie e a Revolta camponesa de 1381.


ERA DOS DESCOBRIMENTOS

Depois deste quadro dramático, logo ao virar do século, dá-se aquilo que todos conhecemos como a Era dos descobrimentos (ou das Grandes Navegações). Período em que ocorreu uma grande e sagaz exploração Europeia ao globo terrestre, em busca constante de novas rotas de comércio. É assim que entre os séculos XV e XVII os Europeus estabeleceram relações com África, Américas e Ásia, em busca de uma rota alternativa e movidos essencialmente pelo comércio de ouro, prata e especiarias. A exploração europeia perdurou por muito tempo, até a consolidação e realização do mapeamento global do mundo. Esta Era dos Descobrimentos consubstanciou-se no marco da passagem do feudalismo da Idade Média para a Idade Moderna, levando à ascensão dos estados-nação Europeus. Esta expansão no exterior levou ao surgimento dos impérios coloniais, com um contacto entre o Velho e o Novo Mundo na produção do chamado Columbian Exchange, que envolveu a transferência de plantas, animais, alimentos e populações humanas (incluindo escravos), doenças transmissíveis e culturas entre os hemisférios ocidental e oriental, naquilo que deverá ser o maior e mais significativo evento global da ecologia, agricultura e cultura da história da humanidade.


GLOBALIZAÇÃO E CRISES

Prosseguindo a nossa viagem, hoje assistimos a tão proclamada globalização financeira, cuja definição podemos entender como um vivo processo de interligação de mercados, principalmente de capitais, aos níveis nacionais e internacionais, o que tem levado ao actual mercado unificado do dinheiro à escala planetária. A globalização financeira inscreve-se num processo histórico longo e complexo, que levou à mundialização da economia. As suas causas são múltiplas, de ordem política, demográfica e tecnológica. No entanto, entendo que fundamentalmente, todas elas podem ser resumidas como simples razões de mercado. Ou se quiser, de Crise, tal como entendida no século XIV na Europa, ou qualquer outra. Esta é a razão do efeito dominó que hoje conhecemos da Crise Económica e Financeira actual. Pode parecer que esta analogia seja de alguma forma pesada, mas talvez não o seja assim tanto. Se não vejamos. A evolução da demografia nos países mais ricos tem contribuído fortemente, ou não, para as mutações financeiras mundiais? Creio sermos unânimes na afirmação que sim. Pois, todos recordamos de que no período pós-guerra, os países desenvolvidos conheceram um relevante choque demográfico, como foi o baby-boom, que se traduziu num aumento temporário da fecundidade e da natalidade, que originou uma explosão de natalidade, particularmente importante para a dinâmica dos outrora denominados de "Trinta gloriosos". Naturalmente, com a contagem natural e previsível, estes países começaram a sofrer a partir da primeira década do século XXI, o contra-choque demográfico, produto do mesmo evento, ou seja, a passagem destes bebés à terceira-idade. Hoje o envelhecimento das suas populações resulta, essencialmente, da diminuição da fecundidade para níveis anteriores ao do baby-boom, a chegada à idade da reforma das gerações nascidas no baby-boom e o aumento da esperança de vida que em cinquenta anos passou de 63 para 75 anos para os homens e de 68 para 82 anos para as mulheres. Como diria o Professor Dominique Plihon começou-se a assistir ao papy-boom.
Em resposta à esta Crise dos Grandes, surge a Globalização ou Mundialização. Estes fenómenos complexos, conduzem a que se abranja uma grande diversidade de processos. Primeiro, corresponde à abertura das economias nacionais às transacções internacionais ao desenvolvimento das trocas de bens e serviços numa dimensão sem fronteiras. Num segundo nível, ela conduz à mobilidade internacional dos factores de produção, e mais particularmente à dos capitais, ou seja à globalização financeira. Não menos importante, ou se não mesmo o vector mais importante desta dinâmica estão os ditos movimentos internacionais de capitais, particularmente pelos investimentos directos no estrangeiro (IDE), realizados pelas empresas multinacionais. Desta forma, a globalização afirma-se como um processo de interpenetração crescente das economias nacionais, tendendo, a reduzir progressivamente o papel das fronteiras, a enfraquecer as regulações nacionais e a desterritorializar as actividades económicas. Mais do que a parte evidente, de uma internacionalização da economia, trata-se de uma globalização de processos de produção e de mercados, com espaços integrados e empresas que se tornam players globais, cujas decisões e comportamentos parecem escapar a qualquer consideração nacional, levando mesmo a ditar a leis aos responsáveis políticos numa dimensão global.
Hoje é inequívoco a força motora da globalização financeira. Este criou já o seu próprio Estado, multinacional e repleta de estruturas, poder de influência e método na intervenção. O poder do Estado Mundial e Global do sistema financeiro é exemplo disso. Elaborada e materializada através do Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento (OCDE) e a Organização Mundial do Comércio, ela é omnipresente e soberana perante poderes originais de Estados e comunidades. Neste domínio, das finanças, é onde a globalização dos mercados é mais acentuada, com uma mobilidade de fluxos financeiros perto da perfeição e à escala planetária.


ÁFRICA

Façamos a última parte da nossa viagem dentro do nosso continente. África. Numa perspectiva diacrónica e sincrónica, principalmente centrada sobre a última década, importa ficar claro de que o continente Africano foi dos que mais cresceu no mundo, entre 2001 e 2008, com o alcance de um crescimento médio de 5,6% ao ano. Este período, embora marcado pela evolução da crise mundial e um papel desempenhado ainda pelo Boom dos commodities, nem por isso impactou um sustentado e impressionante crescimento, estribado na evolução da estabilidade no quadro macroeconómico, acompanhado de reformas estruturais, incluindo a privatização de empresas estatais e redução de barreiras à concorrência. Esta dinâmica conseguiu ainda mobilizar um grande aumento da quantidade de investimentos directos do estrangeiro, que mais do que triplicou durante esses anos. Particular destaque para os provenientes das entradas dos países emergentes do Golfo e da Ásia (China e Índia). A McKinsey Quartely em Junho de 2010 chegou mesmo a publicar um artigo de Paul Collier, professor de economia na Universidade de Oxford, onde o mesmo trouxe o caso do Investimento em África, referindo no título de que o continente estava a crescer muito mais rapidamente do que as nações da OCDE e que se podia eventualmente estar à beira de um regresso às fortunas.
Países ricos em recursos naturais como a Nigéria e a África do Sul, têm sido na década os que mais receberão IDE (investimento directo estrangeiro), embora hoje no nosso grande continente começa a emergir novos padrões, ainda que recentes e provenientes dos últimos cinco anos. No leste e norte da África, por exemplo, novos investimentos crescem em sectores que não carecem de recursos naturais, como o turismo, manufactura, serviços financeiros, telecomunicações e construção. Além disso, um segundo nível de países menores, mas de alto desempenho, incluindo o Gana, Namíbia e Zâmbia, têm merecido particular atenção dos investidores. Esta dinâmica África da última década, em resume, tem assistido a uma diversificação do IDE, em paralelo com uma série de reformas estruturais levados a cabo pelos governos Africanos, para tornar suas economias mais atraentes e competitivas. Naturalmente, para sustentar os fluxos de IDE os governos devem buscar medidas para o reforço dos quadros de governação e legal, construção de mercados financeiros, investimento em capital humano, desenvolver as suas infra-estruturas e aprofundar a integração regional. Com estes dados não evito dizer que também seja verdade de que o continente foi atingido pela Crise Financeira global, tanto que o seu crescimento em 2009 desacelerou para 2,5%. Mas, posso afirmar que a história do mundo global tem feito com que África evite a recessão. Embora também seja verdade de que o impacto da crise esteja a variar de entre regiões e países, a verdade é que no geral o declínio do crescimento está sendo menos grave do que o esperado. Por exemplo, em contraste com outras partes do continente, a África Austral tem sido directamente afectada pela crise global, porque os seus países, embora ricos em recursos, estão dependentes das exportações e sujeito ao "efeito vizinhança" que emana da África do Sul. Acredita-se que muitos desses países devem recuperar brevemente com a recuperação dos commodities e melhorias nos mercados financeiros. O grupo de países de rendimento médio do norte da África, apesar de sua estreita integração com a União Europeia, tem-se saído melhor, em parte devido à sua menor contas de capital aberto e economias mais diversificadas.
Também é verdade de que os formuladores das políticas africanas têm resistido as tendências proteccionistas que muitas vezes acompanham uma crise desta magnitude. Em vez disso, a maioria dos países têm mantido uma postura macroeconómica prudente durante esta crise actual, evitando as medidas proteccionistas, e em vários casos, acelerando as reformas para criar um clima favorável ao investimento. Alguns países, como Botswana, Gana Cabo Verde e Seicheles, aproveitam dos pacotes de ajuda financeira para ajustar as suas economias de forma significativa. Embora tendo resistido à crise, o continente enfrenta o desafio de voltar rapidamente ao crescimento elevado e sustentável. Em Março de 2010, o Banco Africano de Desenvolvimento fez a previsão de 4,5% de crescimento do PIB real para África em 2010 e 5,2% em 2011, em linha com a recuperação global. Embora essas taxas de crescimento estejam ainda abaixo dos níveis pré-crise, a recuperação tem uma base larga, com mais de 15 países projectado para crescer por cima de 5% em 2010. Resta ver se a recuperação nas economias avançadas, é de facto um factor fundamental na recuperação da própria África. Por isso, é ainda mais importante que os países Africano criem hoje um clima económico e de negócios para atrair criar fluxos de capital privado internos e estáveis.
Embora exista um crescimento da África, quando medido em termos de crescimento do PIB percapita, ela é mais moderada. A pergunta chave é quando é que a remuneração do povo africano atingirá níveis comparáveis aos países mais ricos? Quando é que teremos um crescimento sustentável que nos permita reduzir as enormes disparidades de remuneração e de produtividade, face às economias mais avançadas? Infra-estrutura pobre é um grande impedimento. Um estudo recente de 24 países, conduzido pelo Banco Africano de Desenvolvimento, estimou o custo total da lacuna de infra-estruturas em África para a próxima década, no valor de 93 mil milhões de dólares americanos por ano, com cerca de 40% no sector de energia. Descobriu-se ainda de que o continente tem a mais fraca infra-estrutura do planeta, e que os Africanos, em alguns países, estão a pagar o dobro por serviços básicos, em comparação aos cidadãos de outros continentes. Por outro lado, apesar de algum progresso, na criação de um ambiente para desenvolvimento do sector privado, mais pode ser feito para que se atinja um crescimento importante, principalmente com relação à criação de bases de capital nacionais.
Dadas as fraquezas dos países Africanos, e as falhas de mercado, o desenvolvimento de um sector privado vibrante não pode ser deixado só ao livre mercado. Experiência mundial tem mostrado a sua importância. O apoio institucional dos governos Africanos não pode ser apenas no ambiente de negócios, pois, esta e a sua melhoria é apenas uma das muitas outras condições para o crescimento do sector privado. Países como o nosso, a semelhança de outros Africanos, têm pequenas bases produtivas. O desenvolvimento do sector privado envolve muitas vezes a entrada em actividades completamente novas, inovadoras, que naturalmente incorrem a grandes investimentos e custos fixos, assim como riscos. Os agentes privados não podem os assumir sozinhos. Em África, ou desenvolvemos uma Política industrial que visa incentivar as actividades mais rentáveis e flexibilizar as restrições ao empreendedorismo produtivo nacionais, ou incorremos à nova vaga dos Descobrimentos, atando-nos como reféns do capital instalado, que impacta na descolagem dos nossos países, pela via da ausência de sectores privados, nacionais.
O Banco Africano de Desenvolvimento elevou a sua capacidade para financiar empresas privadas e parcerias público-privadas. Durante os últimos anos, aprovou o financiamento não soberano, incluindo cerca de 15% no capital próprio, para um total de USD $ 4,7 bilhões, para projectos, principalmente, em serviços de infra-estrutura e financeiros. África continua a oferecer inúmeras oportunidades para os investidores no mundo pós-crise, com as opções tão variadas quanto os países.

Em Cabo Verde, Investidores? Eu que o diga.

Wednesday, January 18, 2012

Made in Crise

Grow with us!

O processo da globalização das actividades económicas, cultural e social, em todo o mundo é hoje irreversível. Este decurso, tem provocado uma crescente proximidade entre os povos, pois, as pessoas movem-se ao longo dos países, em função do seu projecto de vida, e as empresas têm grande facilidade em deslocalizar-se, de acordo com os seus objectivos e das condições que determinado pais ou região lhes possa proporcionar. Constata-se também que o mundo inteiro escolhe os seus produtos para consumo em função dos seus valores, garantias pessoais e preferências.

Cabo Verde, como integrante do globo, assim como qualquer outro, terá de se obrigar a dar vazão à necessidade que os países têm de construir uma orientação sólida, capaz de transmitir uma imagem mobilizadora, coerente e favorável aos seus diversos públicos. Venham a ser eles financiadores, investidores e bancos, governos estrangeiros, empresas multinacionais, cidadãos nacionais e estrangeiros. Para abordar esta problemática de uma forma sistematizada, é necessário que numa primeira instância o país conheça as suas limitações e potencialidades, e que fixe objectivos claros, de forma a poder delinear uma estratégia e um modelo de desenvolvimento sustentado e diversificado.

Será que hoje todos os actores nacionais estão em consenso quanto à visão do nosso país para o que se pretende que sejamos daqui a 20 ou 30 anos? Quais são os sectores de actividade em que se pretende apostar, de forma a diversificar e mitigar riscos? Que qualificações se pretendem desenvolver nas pessoas, para sustentar estas apostas? Que infra-estruturas são necessárias e qual o calendário de evolução das prioridades? Qual a melhor aposta que cada região pode fazer? De alguma forma as respostas e algum deste trabalho podem ser encontrados no documento de Crescimento e Redução da Pobreza, compilado na Agenda de Transformação Económica de Cabo Verde, desenvolvido em 2001. Este documento visa essencialmente estribar as bases para o aproveitamento das oportunidades e vantagens comparativas de Cabo Verde para a consolidação de vantagens Competitivas. Por isso, foca-se principalmente na Localização e no Mar.

Pode até ser legítimo questionar-se o modo como a Agenda foi construída, assim como, eventuais, necessidades de um consenso mais largo e a nível nacional. No entanto, no meu entender, superando essas eventualidades, a questão de fundo que se impõe é o como materializar esta transformação? Como alargar e cimentar as bases e os pilares da Economia Nacional? Tudo, para que efectivamente o país fazer o “take off” com a rota devidamente traçada e aprovada.

É certo de que as ideias centrais da Estratégia de Transformação de Cabo Verde propõem consolidar a economia de mercado, a ser liderada pelo sector privado, modernizar a sociedade e as instituições, e sobretudo, construir uma Nação globalmente competitiva. Pretensões com ênfase em eixos de desenvolvimento traçados, como são o Turismo; Hub transporte: Marítimo e Aéreo; Fishing e Serviços Ligados Mar; Centro de Serviços: IT e Finance. Tudo para se alargar a base produtiva do país, criar vantagens competitivas em novos sectores, particularmente a nível dos serviços, favorecer as oportunidades para o emprego e para aumentar a capacidade produtiva e a participação no mercado global.

Por outro lado, estas nossas pretensões esvaziam-se muito na realidade crua do empresariado nacional e face às suas várias limitações, principalmente ao nível da sua assumpção enquanto investidores e limitadas capacidades financeiras. Por isso, a minha proposta para um plano que denomino de Grow with us. Este estriba-se na realidade de que Cabo Verde hoje, com a graduação da lista dos Países Menos Avançados para Rendimento Médio, a adesão do país à Organização Mundial do Comercio, a assinatura do Acordo de Parceria Especial com a União Europeia e a incessante procura de maior integração regional na CEDEAO, deve assumir e adoptar um posicionamento claro, verdadeiro e transparente, que nos conduza consequentemente a numa nova fase de desenvolvimento e mobilize investimentos e realizações de acordo com o rumo traçado e validado, isto é, de acordo com a Agenda de Transformação de Cabo Verde.

Somos um povo tradicionalmente activo, mas nem por isso pró-activos. É preciso que se dêem passos para a concretização dos discursos e estratégias, através de uma comunicação clara, simples e directa, relativamente ao que se pretende fazer deste país.

A semelhança do exemplo da Polónia, que hoje emerge como um forte mercado, ao lado de outros países emergentes, proponho a orientação de instituições como a Cabo Verde Investimento, em articulação com Embaixadas e Consulados, para a mobilização de uma campanha forte a nível internacional, relativo a Agenda de Transformação Económica do país, no intuito de que a atracção do investimento externo se faça lá onde necessário e fundamental para a política de Desenvolvimento do País. Esta campanha deve mobilizar todos os suportes necessários, mas com a contabilização clara e transparente dos seus custos, objectivos a atingir, e estimativas de resultados. O mais importante é que o discurso seja elaborado na óptica das possibilidades de investimentos em Cabo Verde, apelando os potenciais investidores externos e virem crescer com o País, daí o slogan Grow with us. Cabo Verde, pode desta forma orientar os investimentos externos para os vectores que traçou como fundamental para o seu crescimento, assim como construir uma verdadeira imagem de marca internacional como fonte de oportunidade para o mundo. Ao contrário de estarmos a mercê dos que por cá têm caído.

Esta acção, deve ser fortemente acompanhado pelas secções consulares e embaixadas em todo o mundo, criando uma verdadeira onda de divulgação da nossa Agenda de Transformação e Desenvolvimento, no mundo e a consequente atracção de investimentos externos para sua materialização. A condução deste esforço pode ser direccionada por área e mercados potenciais de financiadores, com equilíbrio territorial, regional e diversificação suficiente para a mitigação de riscos sistémicos.

A Educação, formação profissional, normativos e outros, deveriam ser consequentes deste e não feitos à partida sem contabilização dos resultados espectáveis face aos custos que absorvem. Hoje, se não medimos, não estamos a fazer nada, pois não saberemos onde estamos e onde chegamos.

Monday, December 12, 2011

Made in Crise

Made in CABO VERDE

Todos sabemos de que uma Marca é muito mais que um logótipo (ou um símbolo). Ela é uma identidade que se constrói e se gere, de forma a construir e implementar um conceito e provocar uma reacção específica que se pretende atingir. As principais características da Marca, passa pela personalização de uma estratégia, que é construída ao longo do tempo, através de um trabalho persistente e consistente. Este deve ser um processo coerente e em constante renovação para conferir à entidade que a suporta um significado e uma direcção. A Marca é um “contrato” que se vai tornando credível ao longo do tempo, consolidando-se em torno de um compromisso e servindo de farol, pois, fornece um sentido e uma direcção.

Assim posto, julgo pertinente, e face as inúmeras capacidades endógenas e em desenvolvimento e produção a nível nacional, urgir a necessidade de implementação de pequenos passos que visão o cimentar de um MADE IN Cabo Verde. Está claro de que a concepção de um projecto desta envergadura poderá trazer grandes vantagens para o país, através do fortalecimento e construção da camada produtiva nacional, salvaguarda da qualidade dos produtos e uma orientação de mercado. Para além, de potenciar uma visão unificadora dos esforços de toda a comunidade e desta forma, à semelhança de uma marca comercial, uma Marca Cabo Verde pode imergir e dotar-se de um conjunto de valores capazes de implementar e transformar a imagem do país, junto do mercado nacional e internacional.

Os objectivos e a necessidade de uma orientação urgente para o MADE IN Cabo Verde, são vários, embora possamos, genericamente, apontar os mais usuais, como o facto de induzir a construção de um sector produtivo nacional forte, fomentar a qualidade dos produtos e processos de trabalho, apoiar a internacionalização das empresas nacionais, potenciar o país enquanto destino turístico e cultural, direccionar os esforços nacionais em torno de determinadas indústrias, aumentar a auto-estima da população, preservar a herança cultural e a identidade nacional, através da consolidação dos valores, em vez de copiar os modelos dos países mais desenvolvidos. O MADE IN Cabo Verde, poderá ainda criar e moldar uma imagem de credibilidade do País, criando e ou solidificando a classe empresarial nacional.

Michael Portes, em Vantagem Competitiva das Nações, procura explicar o porquê que um país obtém êxito internacional numa determinada indústria, dizendo que a resposta encontra-se na conjugação de quatro vectores (atributos) que modelam o ambiente no qual as empresas competem e que promovem (ou impedem) a criação de vantagens competitivas sustentáveis. A forma como estes atributos se inter-relacionam e se conjugam para criar valor é representada, segundo o modelo de um Diamante, denominado de Diamante de Porter. Este Diamante, comporta CONDIÇÕES DOS FACTORES, isto é, a situação dos países face aos factores de produção, como trabalho especializado ou infra-estruturas, necessários à competição em determinadas indústrias, que podemos dizer ser ainda deficitário em Cabo Verde; CONDIÇÕES DA PROCURA, ou seja, a natureza da procura interna para os produtos e serviços das indústrias nacionais, cujo no nosso caso é criticado pela sua exígua dimensão e qualidade; INDÚSTRIAS CORRELACIONADAS E DE APOIO, ou melhor a presença ou ausência, no país, de indústrias fornecedoras e correlacionadas, susceptível da criação de sinergias e que sejam internacionalmente competitivas. O que em Cabo Verde não é caso, pois caracterizamo-nos pela demasiada dependência das importações; ESTRATÉGIA, ESTRUTURA E RIVALIDADE DAS EMPRESAS, que abarca as condições de organização, gestão e criação de empresas no país e a natureza da rivalidade interna. Em Cabo Verde, claro, estamos num processo de melhoria e nascimento da concorrência, mas que ainda é incipiente.

Ora, parece lógico afirmar que o Diamante do Porter precisa de um indutor em Cabo Verde, pois, seus vértices ainda são débeis por nossas bandas, como forma de podermos fomentar a produtividade a que este refere, enquanto eixo central para a medição da competitividade de uma empresa, uma indústria ou um País. Por outro lado, como subentendido na produtividade está a capacidade de inovar, isto é, para podermos avançar nas bases da inovação, já que este é um princípio básico para o alcance de vantagens competitivas.

O “Diamante” de Porter é um sistema em que qualquer perturbação num dos seus factores afecta a competitividade internacional do País. Desde as fontes de produção necessárias para a competitividade, a disponibilidade de informação rigorosa, a qualidade, quantidade da inovação e o nível de investimento. Por outro lado, o seu bom pleno funcionamento, fornece um ambiente nacional dinâmico, de desafios, estimulante e de maior pressão, sendo mesmo uma condição essencial para os Países obterem êxito em determinadas indústrias e a consequente vantagem competitiva de forma sustentada. Portanto, os países terão maior probabilidade de obter êxito em indústrias ou segmentos de indústria onde este “diamante” seja o mais favorável, pelo menos segundo Porter.

Uma observação atenta ao estado actual de Cabo Verde, facilmente se conclui que a situação competitiva é regra geral ainda incipiente, pois, os factores de produção (mão de obra, infra-estruturas, investigação) têm ainda alguma fragilidade, a procura interna é reduzida e pouco exigente, as empresas, regra geral, carecem de melhor organização e eficiência, com as PME’s com grandes lacunas estratégicas e falta de recursos, pelo que não geram elevada produtividade nem competição. Assim, e dado que não há muitas industrias fortes e competitiva, também não há pressão sobre as empresas fornecedoras e relacionadas, o que impacta na capacidade de produção e consequente aproveitamento e dimensionamento do negócio para a sua internacionalização, ainda que direccionado a nichos específicos, como consumidores do segmento High-quality e exclusive-production, cuja seu crescimento e procura mundial é crescente.

Face a situação global e mundial, Cabo Verde deverá focar-se no fomento à produção interna e posicionamento enquanto provider de soluções e produtos para nichos, consequente com a sua capacidade produtiva (pelo menos na quantidade). Por isso, a minha proposta de valor, é que se crie uma identidade e Marca MADE IN Cabo Verde como o motor de arranque para a dinamização deste referido Diamante de Porter. O MADE IN Cabo Verde, vai provocar as condições para a existência de mais ou melhores factores de produção, atraindo investimento e apoiando a internacionalização das empresas nacionais. Por outro lado, incita e aumenta as condições da procura, pois, cria e/ou molda uma imagem que acredita o País, potencia-o enquanto fonte provedor e ou destino, aumentando a auto-estima da população. A concentração estratégica em determinadas indústrias poderá permitir o aumento da rivalidade entre as empresas, fomentando as suas capacidades de inovar, atributo essencial para a produtividade e consequente construção de vantagens competitivas de Cabo Verde. A metodologia MADE IN Cabo Verde, que vos convido a conhecer, visa funcionar como um combustível ao diamante de Porter, pois, cria os seus atributos ou pelo menos estimula a sua existência, acelerando e dinamizando o sistema.

Com um exemplo para este processo, falemos dos pequenos produtores regionais. Julgo ser fundamental que esta classe empresarial sinta um impulsionador do seu desenvolvimento. Estes, que trabalham essencialmente na óptica da produção, concebendo produtos cuja capacidade instalada permite, com pouco crivo de mercado muito menos a visão e orientação necessária para a satisfação das necessidades do mercado consumidor. Desta forma, é preciso caminhar, dar os primeiros passos para a concretização da Marca Cabo Verde, que deverá ser e está mais Above, On Top Of. Uma forma de o iniciarmos é dar início a um processo de chancela e certificação da origem e qualidade, cujo intrínseco passam a estar as assumpções dos princípios e valores que se quer na produção nacional. Não confundir esta certificação aqui exposta com a Certificação para a Qualidade, se bem que as duas possam andar em paralelo.

O ambiente competitivo, cada vez mais exigente, determina que os produtores centrem a sua actividade em torno do mercado, no sentido de corresponderem às expectativas do seu público-alvo. As empresas devem focar-se na construção constante de um relacionamento próximo com o mercado, em torno das expectativas dos consumidores. Os produtores regionais, a título de exemplo, têm de desenvolver uma orientação de mercado, construída à sua dimensão, mas capaz de aproveitar a grande procura por este tipo de produtos, que se verifica nos mercados locais e externos.

A minha proposta de arranque do processo de consolidação futura de um MADE IN Cabo Verde, sério e credível é criarmos uma fase zero, direccionada aos objectivos do: Desenvolvimento socioeconómico de Zonas Rurais; Desenvolvimento da produção nacional; Salvaguarda da higiene e segurança da produção nacional; Incremento de Exportações; e Fortalecimento a imagem do País interna e externamente. Com estes objectivos podemos avançar para um processo de atribuição da Chancela MADE IN Cabo Verde, com base no cumprimento de critérios estabelecidos, por entidades, e em colégio, como ARFA, IGAE, CI, ADEI, DGA, DGASP, DGP e outros pertinentes, para as empresas e produtores que estejam nos sectores como a Gastronomia: inclui padaria e pastelaria regional; compotas; bebidas (vinhos, licores, aguardentes); Produtos de origem animal: produtores de carne, charcutaria e lacticínios (queijos); Produtos de origem agrícola: frutos, legumes, tabaco, chá, etc.; Artesanato: olaria, bordados, etc.; e Produtos de origem Marinho: pescado, e outros marinhos.

As bases para este processo de atribuição da Chancela ou certificação de origem MADE IN Cabo Verde, que ainda poderia se segregar por ilha, deveria ser estabelecido em função do cumprimento de normativos nacionais e rigor processual e fiscal, mas também com relação aos estipulados para os ingredientes utilizados, os equipamentos e processo de produção, a qualidade higiénica do produto final, as embalagem e informações que respeitam normas internacionais (descrição de componentes / ingredientes, prazos, outros pertinentes, os processos de transporte e armazenagem, a politica de preço, a organização interna da instituição, a valorização do trabalho manual e o respeito pelas normas e políticas ambientais.

Cabo Verde pode construir e fortalecer-se num posicionamento claro de diferenciação pelos critérios de Tradição, Pureza e Autenticidade. Este deve ser o nosso tag line.

Wednesday, November 30, 2011

Made in Crise

Os 7 Pecados Capitais na Gestão Financeira dos Negócios

Na gestão financeira das empresas, ainda que liderados por gestores motivados e dotados de grandes capacidades técnicas, as falhas e erros continuam a ser uma constante, devido as mais várias causas internas e ou externas. Isto é tão verdade, quer em Cabo Verde como em qualquer parte do Mundo. Se decidirmos fazer uma lista desses erros possíveis e passíveis, encontraríamos centenas e cujas ocorrências são quotidianas. Porém, existem erros que se não forem combatidos comprometem outras áreas numa velocidade de Vírus, como se de uma infecção se tratasse, outros que embora pequenos se ignorados com frequência tornam-se num grande problema, assim como aqueles erros em que a sua pouca importância ou valor pode ser ilusória.

O grau que confere a um erro o seu carácter letal e a frequência com que aparecem nos negócios, devem ser os principais critérios para a definição dos “pecados capitais”, que conduzem a gestão financeira das empresas à Crise, isto é, situações delicadas e difíceis. O objectivo deste texto é cingir e contribuir para o alerta às Pequenas e Médias Empresas, identificando o que podemos chamar de Erros Capitais, enquanto desacertos que mais impactam os seus potenciais de crescimentos, cujos empresários continuam a cometer no domínio da Gestão Financeira do seu Negócio.

O Primeiro destes Erros é quando o empresário negligencia a gestão dos Fluxos de Caixa. Isto é, quando ele ignora a necessidade do cumprimento desta lei básica da Gestão, o que lhe conduz a entrar no mundo da dificuldade em encontrar um equilíbrio entre o ritmo de entrada das receitas e as datas de pagamento das despesas. Esta deve ser uma tarefa primordial para toda e qualquer empresa e o empresário deve entender e aplicar a gestão do Fluxo de Caixa como uma necessidade fundamental e obrigatória no seu negócio.

Segundo grande erro é não nos relacionarmos com as pessoas certas no mercado financeiro. Normalmente os empresários só recorrem aos Bancos e Instituições financeiras quando precisam de crédito urgente. A maioria quer mesmo distância dos gerentes dos bancos, a não ser quando precisa muito dele. Esta atitude de não proximidade aos gerentes e gestores financeiros é um erro comum e de grande relevância. O empresário deve conhecer o seu gerente, ter relações correntes com ele, saber o seu nome e tratá-lo como parceiro. Não podemos esquecer de que também são pessoas, aquelas que tomam decisões atrás dos balcões dos bancos. Por isso há que desenvolver relações, dar-lhe a conhecer o negócio e capitalizar uma relação de confiança.

Terceiro é a miopia dos empresários, ou seja, só ver o seu negócio e não avaliar constantemente o cenário da economia e meio envolvente. Hoje, o empresário não pode cometer este erro, sério e avassalador, sobretudo nos negócios em que se pretende ter uma actuação internacional e ou defender-se de choques e impactos à montante ou à jusante ao negócio. Temos que prestar a devida atenção aos sinais de mercado e aos que indiciam de que o cenário económico pode mudar. E ele muda sempre. Pode ser o cambio, nas compras ou vendas do nosso produto ou serviço, nos acontecimentos que podem inferir na produção da matéria-prima e ou produto acabado, entre centenas de sinais de concorrência, tecnologia, logística e outros possíveis. A análise as possibilidade de mudanças de cenário não são exclusividade das grandes empresas, os pequenos também podem ser atingidos e varridos brutalmente se não se acautelarem. Por alguma razão pequenos negócios são os cujos nascimentos e mortalidades são em maior número. Os donos de pequenos negócios que não antevêem crises externas, normalmente, sofrem muito mais com as vibrações dos acontecimentos imprevistos.

O quarto e grande erro é tratar todos os clientes da mesma forma. Ora, eles nunca o são, por isso, tratá-los de igual forma é sermos maus gestores e altamente desatentos a particularidade e singularidade de cada cliente. O que nos tornará incapaz de o satisfazer. Por isso, não podemos em circunstância nenhuma perder o poder de poder discernir entre os clientes, quem é quem e seus impactos no meu negócio. Devemos preferir vender menos, mas ter certeza de que vamos receber, do que vender o não cobrável, por exemplo.

Quinto e severamente comum é o erro de não se ter critérios para definir os preços. Confesso que este, para além de comum, é muitas vezes resultante de um entendimento errado da leitura de mercados, que nos conduz a ilusão de se pensar que podemos ganhar mais dinheiro hoje, pondo em causa o próprio negócio. Os preços não podem ser produto do achismo e percepções qualitativas e individuais dos mercados. É muita presunção da parte do empresário o fazer. Não saber definir preços é muito comum junto do empresariado médio e nos pequenos negócios. Mesmo grandes empresas, costumam sofrer muito para fazer isso da forma eficiente e coerente. A política de preço é uma das maiores causas de dor de cabeça para os empreendedores. Exemplo típico e comum do empresário é a teoria do improviso, pela via da cópia ao preço dos concorrentes. Outro é somar os custos e acrescentar uma margem percentual que nos pareça "justo" ou "ideal", ou ainda "usual", sem atender aos factores ocultos, como depreciação e necessidade de reinvestimento, apenas para exemplificar. Importa também imputar ao preço, para além de um levantamento minucioso de todos os custos, as depreciações, tributos, salários, manutenção, investimentos futuros, tudo diluído pelo potencial de clientes e mercado, para sabermos se o preço possível é passível de aceitação e pode ser suportado. O que permite analisar a própria viabilidade do negócio.

Sexto erro, é não sabermos, com exactidão, de onde vem os lucros. É muito comum ver empresários e gestores a cometer o erro de olhar para o negócio como algo inteiro, como uma coisa só, somando todas as receitas de um lado e todas as despesas do outro. Assim, da mesma forma que não saberemos de onde vem o lucro, também não identificamos de onde provem os prejuízos. Quando as perdas chegam a somar vários meses de facturação, as empresas começam a pedir apoio a consultorias para se trabalhar e contabilizar as diversas estruturas de custos internas. Com custos e receitas por departamentos e áreas da empresa, trabalhado de forma transparente e explícito em documentos, é que nos será possível identificar os problemas, suas origens e soluções. Caso contrário podemos estar a conviver com um erro de gestão financeira durante anos sem perceber. Juntar toda a empresa e analisá-la no mesmo saco é uma prática errada. No negócios temos que ter sempre a possibilidade de ver todos os dados, custos e receitas, periodicamente e por área, departamento ou outro.

Sétimo e último erro a que vou referir hoje é o não sabermos, muitas vezes, aproveitar escalas. Escalas nas compras, nos processos, nos recursos e em mais diversas fontes possíveis.

Esses erros aqui evidenciados podem ser apontados como pecados capitais para o desenvolvimento empresarial e muitas vezes o ditador de crises internas num negócio.

Monday, October 31, 2011

Nha Terra é Cabo Verde



Segundo Wikipedia: "Independência é a dor de cotovelo de um ser em relação a outro, do qual dependia ou era por ele dominado. É o estado de quem ou do que tem liberdade ou autonomia. Antónimo de dependência. Em Política, o conceito de independência de um país ou território é a conquista e manutenção da sua soberania política e económica, que pode ser absoluta ou relativa..."

Por outro lado, tenho estudado e desenvolvido uma teoria, com base numa interpretação cuidada, cujas bases assentam na constatação em como Cabo Verde é um país onde se prolifera pessoas competentes e corajosas, em números acima da média mundial. No entanto, numa observação mais cuidada e minuciosa destas características, permitiram-me constatar de que esta realidade tem outro contorno, preocupante e também sem paralelismo mundial, pois, não existem dez casos de pessoas com as duas características em conjunto, ou seja não há dez (10) pessoas Cabo-verdeanas que sejam Inteligentes e Corajosos, ao mesmo tempo. E me incluo nos que não têm essa dualidade.

Com a definição do Wikipedia + a Teoria aqui apresentada, exorto os Nacionais a uma luta pela Independência e Democracia, pois ainda não o alcançamos enquanto povo.

Tuesday, October 4, 2011

Electra SARL = ELECTRA Norte + ELECTRA Sul

Qual a verdade?

Pois bem, permitam-me a seguinte reflexão pública, sem qualquer pretensão política, partidária, ou outra qualquer que pudesse estar subentendida. O propósito único é o de solicitar esclarecimentos maiores, porque não entendi ainda a mais-valia da decisão de subdivisão, com critérios de geografia, da empresa ELECTRA.

Por favor, reflicta comigo:
- Se ao invés de 1 passam a ser 2 empresas, então, teremos 2 concelhos de Administração. Certo? Ambos terão remuneração. Certo? Então, no mínimo, duplicarão os custos da Administração, Certo?
- Para além da Administração, haverá 2 estruturas de gestão. Certo? Director Geral + Director de Produção e Distribuição + Director comercial +... outras estruturas. Certo? Então, no mínimo, duplicarão os custos de Gestão, Certo?
- É certo de que os salários destes, referidos acima, não são baixos, logo a sua duplicação tão pouco. Certo?
- Do total de 832.415.000CVE de custos com o pessoal da Electra em 2010, desconhecesse o peso do custo da estrutura de Gestão, mas de certeza que não será pequeno;
- Segundo o relatório e contas de 2010, a empresa Electra – Empresa de Electricidade e Água, SARL, conta 115.562 cliente de electricidade e 37.345 clientes de água, que teriam agora de ser subdivididos pelas duas regiões, como seus parques de clientes;
- Ora, sendo estes dois números a base para o cálculo do valor da empresa, se aplicarmos o método de fluxos de caixa actualizados, e sendo que estes dois produtos são de consumo estimulável, diria que a empresa perderá valor a partida com esta divisão, tanto mais que a redução da dimensão, pela via da subdivisão dos mercados o proporciona. Isto é, valerá a ELECTRA Norte + ELECTRA Sul menos do que vale a ELECTRA SARL actual;
- Por outro lado, passando a ser 2 empresas distintas, a do Norte e a do Sul, passa a haver necessidade de duas áreas técnicas capacitadas e balizadas para responder às necessidades de manutenção e gestão dos activos, máquinas e infra-estruturas, o que claramente duplica a necessidade de uma única estrutura competente e preparada para dar cobro a todas as unidades de produção;
- Do ponto de vista de processos, gestão intermédia, logística, administrativa e comercial, também deixa de haver escala para passar à necessidade de estruturação individual, duplicando custos de estrutura, consultorias e burocracias;

Apenas referindo a estas questões, não consigo entender o alcance desta divisão anunciada e ratificada em Assembleia, tanto mais do que a experiência mundial aponta para subdivisão por áreas de negócio, como são, Produção; Transporte e Distribuição e não pela subdivisão de um mercado já de si reduzido e ínfimo.

No entanto, dou a palavra a quem possa explicar a mais-valia desta decisão, que me explique as vantagens e apresente os números que o envolvem em matéria de custos versus proveitos.

Bem haja!



Relatório e Contas ELECTRA

Tuesday, July 6, 2010

Brand & branding

O ser Humano é engraçado. Sonhamos de pequenos com algo. Ensinam-nos desde a pré-primária que cada um deve escolher uma profissão. Fazemos as nossas escolhas e decidimos, ou outras vezes é a vida que nos obriga a seguir determinado caminho.

Uma vez uma psicóloga disse-me que o problema das escolhas não é o que escolhemos mas sim o que não escolhemos por termos escolhido outras. Ela está certa. Todavia a melhor forma de lidar com frustrações é a aceitação da realidade. Por isso, ninguém lança concurso publico para solucionar um problema médico, pois se lhe reconhece a especialidade aos que estudaram e continuam a estudar a medicina e ciência, como os capazes. Isto porque se não for assim, alguém pode até chegara cura de algo, mas poderá ser que está cura de algo possa matar por outra razão.

Para dizer que eu não percebo nada nem de Medicina nem de Engenharia nem de uma série de outras áreas. Todavia de Marcas e Marketing percebo e não tenho qualquer complexo nem falsa modéstia de em dizer que sou qualificado no que escolhi e continuo escolhendo para mim.

Check out this SlideShare Presentation:

Tuesday, June 29, 2010

ZEE

por um modelo de desenvolvimento único e sustentável

Cabo Verde, detêm pouco mais de 4 mil km² de território, mas conta com cerca de 800 mil km² de ZEE. O país, ainda, não explora convenientemente a sua actual ZEE nem do ponto de vista de exploração (recursos), gestão e muito menos controle da região. Estes, quer em matéria territorial, marítimo, pesqueiro, ambiental, económico, entre outros.

Um aumento da nossa ZEE para as 350 milhas náuticas permitiria ao país incrementar, categoricamente, o seu potencial no mundo. Os recursos que poderemos prospectar e explorar serão duplicados com esta extensão, aumentando exponencialmente a oportunidade de acesso às energias fósseis, minérios, recursos pesqueiros, de entre as mais variadas possibilidades que o elemento menos explorado do universo, o mar, possa oferecer.

Thursday, June 24, 2010

Zona Económica Exclusiva

Na Cidade do Mindelo, de 21 a 23 de Junho de 2009, na Sala de Conferencia do Hotel Porto Grande, decorreu o segundo Atelier Sub-regional sobre os Limites Exteriores da Plataforma Continental para além das 200 milhas náuticas.

Tema este que abordei em tempos atrás, procurando explicar a pertência de um debate nacional em torno da ZEE. Cheguei ainda ao ponto de dizer que para mim esta é a Nova Guerra Fria, explicando o processo de Portugal, a título de exemplo e abrindo o debate para a nossa situação.

A informação pública é de que o Governo de Cabo Verde elaborou, em colaboração com o Governo do Reino da Noruega, dois projectos de Acordos de cooperação nessa meteria, a saber: "Acordo Quadro de Cooperação Sub-Regional entre Cabo Verde, Gâmbia, Guiné-Bissau, Guiné Conakry, Mauritânia e Senegal" e o "Acordo de Cooperação Técnica e Financeira entre esses seis países e o Reino da Noruega".

Assim, este evento elaborado é enquadrado na abordagem sub-regional que se adoptou, decorrente do primeiro encontro, na preparação dos projectos de Extensão da Plataforma continental entre seis Estados Africanos: Cabo Verde, Gâmbia, Guiné-Bissau, Guiné Conakry, Mauritânia e Senegal.

A questão me preocupa é a sensibilidade deste assunto e a pertinência, no meu entender em se criar um debate global antes de qualquer engajamento nacional sem consenso interno. Para mim a ZEE é a nossa única e natural plataforma de Desenvolvimento futuro. Aliás acabei de efectuar uma apresentação na Universidade Lusófona de Cabo Verde defendendo esta tese. Por isso, todo o cuidado é pouco em matéria de gestão deste processo em conjunto com outros. Temos condições e interesses maiores a defender individualmente.

Não sou contra, mas recomendo prudência e debate alargado, pois há cá no país quem pode discutir este tema com elevação.

Wednesday, June 9, 2010

"sou a SANTA e a PROSTITUTA"

Fergie

joaoejeremias.wordpress.com

PROSTITUIÇÃO
"A lei de Cabo Verde não penaliza a prostituição. E pela proliferação de prostitutas operando tanto às escondidas quanto abertamente na Ilha do Sal, há mercado para esse tipo de negócio. Embora ela não se descreva como tal, a moça de minissaia e carteira de penas brancas que passa as horas seguintes entre as discotecas e os bares de Santa Maria, é uma prostituta à caça de clientes. “Meu trabalho? Eu trabalho num restaurante”, diz essa mulher de 29 anos, mãe de três filhos. Original da Ilha de São Vicente, ela prefere ser chamada de Carla. Depois de algumas cervejas bebidas com canudo, Carla se abre: “O negócio ficou melhor para nós, cabo-verdianas, porque a polícia recentemente se livrou de todas as nigerianas e senegalesas. Agora há menos competição.” Como Carla, muitos dos mais de 17 mil habitantes da Ilha do Sal emigraram de outras ilhas e da parte continental de África, atraídos pelo crescente turismo e pela construção ao redor de Santa Maria. Mas na chegada, a realidade se mostra mais dura do que o esperado e algumas entram na prostituição para sobreviver."


"As cabo-verdianas envolvidas na venda do sexo tendem a ser mais discretas sobre sua linha de trabalho que as estrangeiras. “Nós vemos mulheres da costa africana nas ruas, trabalhando como prostitutas. As cabo-verdianas vão às discotecas, restaurantes, e vivem com estrangeiros. É difícil distinguir se a relação é de prostituição ou não” Jorge Figueiredo Presidente da Câmara do Sal

“Encontras prostitutas tanto cabo-verdianas como estrangeiras nas ruas aqui, principalmente em Santa Maria. Mas como todas as pessoas daqui se conhecem, as prostitutas cabo-verdianas são geralmente muito mais discretas sobre o que fazem.” Sérgio Rodrigues, secretário do Comité Municipal de Luta Contra a Sida na Ilha do Sal

Wikipédia: "A prostituição pode ser definida como a troca consciente de favores sexuais por interesses não sentimentais, afetivos ou prazer. Apesar de comumente a prostituição consistir numa relação de troca entre sexo e dinheiro, esta não é uma regra. Pode-se trocar relações sexuais por favorecimento profissional, por bens materiais (incluindo-se o dinheiro), por informação, etc. A prostituição é praticada mais comumente por mulheres, mas há um grande número de casos de prostituição masculina em diversos locais ao redor do mundo. A Organização Mundial do Turismo (OMT) (1995) define o turismo sexual como “viagens organizadas dentro do seio do sector turístico ou fora dele, utilizando no entanto as suas estruturas e redes, com a intenção primária de estabelecer contactos sexuais com os residentes do destino”. Ryan (2001) por sua vez, entende que se trata de um tipo de turismo onde “o motivo principal de pelo menos uma parte da viagem é o de se envolver em relações sexuais. Este envolvimento sexual é normalmente de natureza comercial“."


Sigam o debate com estes jointers:
* Ku frontalidadi
* Teatrakacia
* Cafe Margoso
* geração20j73
* Blog di Nhu Naxu
* Tempo de lobos
* Passageiro em trânsito
* Pedrabika
* O jornal da hiena
* Nos blogue
* Ajavascript:void(0)milcar Tavares
* Bianda

Tuesday, June 8, 2010

"minha senhora, eu sou apenas um passageiro igual a senhora!"

Esta foi a resposta que o Senhor Ministro MANUEL INOCÊNCIO SOUSA, Ministro das Infraestruturas, Transportes e Telecomunicações, CANDIDATO À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA DE CABO VERDE, deu à uma Senhora Emigrante Caboverdeana em Holanda, passageira do voo VR 6021, que lhe perguntou: Senhor Ministro que pensa de toda esta confusão?

Sunday, June 6, 2010

VR 6021


O VOO
O Voo VR 6021 deveria ser uma partida PRAIA/MINDELO/LISBOA, no dia 04 de Junho de 2010 às 15h20. Por isso, foi informado aos passageiros de que deveriam estar no aeroporto às 14h00 para check in. Assim sendo, rumo ao aeroporto às 14h00, a partir da Achada Santo António, chegando às 14h15 minutos. Depois do check in feito, o talão de embarque previa o embarque Às 14h50 minutos. Depois de um café, dirige-se a sala de embarque com todos os outros passageiros, conforme a informação obtida pelo sistema sonoro.

MEIA VOLTA NA PISTA

Na sala de embarque, depois de cerca de 40 minutos de espera, somos chamados a embarcar. Começa-se o rasgar do talão de embarque e a saída pela porta, caminhada na pista, com direcção a uma Boeing ou Air Bus (confesso não saber) da companhia aérea CAIMA, supostamente alugado pela TACV para efectuar o respectivo voo, na medida em que havia impossibilidade de um dos Boeings nacionais operar, e o outro teria acabado de sair com destino a Boston. Depois de já na pista, somos chamados a regressar a sala de embarque, porque segundo uma assistente, o avião ainda não estava preparado e teria havido erro nas comunicações entre o referido aparelho e o pessoal de terra. Isto tudo por volta das 16h, sensivelmente.

VOO LISBOA
AEROPORTO DE MINDELO NÃO RECEBE VOOS À NOITE ou
BLOQUEIO DA ASA POR FALTA DE PAGAMENTO

Depois de esperar mais 1 hora, denota-se de que o referido Boeing estava a retirar as malas que se teria já colocado dentro. Não percebemos o porquê nem ninguém vinha falar connosco sobre o nosso voo, a que horas ia se realizar, se se ia realizar ou não. Blackout total. Para nosso espanto, inicia-se uma informação sonora anunciando que apenas os passageiros de Lisboa deveriam seguir viagem, para os restantes cujo destino é Mindelo nenhuma informação do quê, porquê nem quando viajariam. Estava já próximo das 18h quando os passageiros de Lisboa embarcaram. Segundo alguns curiosos teria sido o facto de Mindelo não poder receber um avião daquela estirpe depois das 19h que estaria na origem da decisão de fazer viajar apenas os passageiros de Lisboa, de forma directa, sem passar por Mindelo. Da TACV ninguém assistia os passageiros nem informava o que se passava. O que é certo é que todos os passageiros de Lisboa entraram no avião para deslocar rumo a Lisboa. Todavia, cerca de 15 minutos depois começavam a ser postos fora do avião, com informação de que o voo Lisboa teria sido cancelado. Todos foram colocados numa camioneta e dirigidos a instalações hoteleiras da capital. Outros diziam que afinal agora a questão seria falta de pagamento a ASA que levou a que este voo não se efectuasse.

MUDANÇA DE TURNO

Para além de não ter havido informações às pessoas que tinham destino Mindelo, mantiveram-se todos na sala de embarque como se o Voo estivesse a ser operacionalizado, sendo questões de momentos, já que não havia informações nem assistência da TACV. Antes mesmo do incidente Lisboa, eu dirigi-me a supervisão pedindo informações. A resposta que obtive, eram cerca de 18h00, é de que a supervisão que lá se encontrava tinha acabado de entrar sem encontrar nenhuma informação de atraso de voos e sem saber ao que eu me referia. Todavia, tendo eu reclamado alimentação e chamada telefónica, a mesma foi muito generosa e simpática, e sem saber da situação, segundo ela, pegando do talão de voucher e me passando um direito a 400 escudos de Lanche a ser consumido no bar do aeroporto. Quando sai da sua sala encontrei com outros passageiros que me perguntaram o que se passava. Depois de ter conversado com eles e explicado o que teria feito, todos resolveram ir também buscar o voucher de alimentação. Ao que percebi, este a acabou para ser estendido a todos os passageiros.

FENÓMENO MANUEL INOCÊNCIO SOUSA
(Ministro das Infra-estruturas, Transportes e Telecomunicações)

Depois do Lanche, e da Supervisora ter dito de que o voo era uma questão de momentos, dirigi-me de novo a sala de embarque. Assim também fizeram todos os demais passageiros. De repente já por volta das 20h, apercebeu-se que se colocou um voo de ATR, PRAIA/MINDELO, VR 4023 (se eu não estiver em erro) para cerca das 21h. Parecia de que estaríamos prestes a sair para Mindelo. Para o nosso espanto começam a entrar também na sala de embarque outras pessoas que supostamente iriam viajar para Mindelo, num voo programado para esta hora. Os passageiros que estavam por viajar desde as 15h ficaram indignados por para além de não estarem a ter informação, iria haver um voo com o mesmo destino de que o atrasado, sem a natural execução da precedência de prioridade de voos. Em toda a parte do mundo, é regra, os voos para um destino, quando atrasam, atrasam todos os outros para o mesmo destino, obedecendo a prioridade e precedência de voo. Pelos vistos excepto nos TACV, que como tinha neste voo da noite, como passageiro, o senhor ministro Manuel Inocêncio Sousa, que por mero acaso é só a tutela dos TACV, não aplica esta regra, nem informa os passageiros anteriores quanto ao seu voo. Naturalmente, o descontentamento generalizou-se entre os passageiros que tinham sido obrigados a estar na sala de embarque desde às 14h00. Estes querendo exigir informação começaram alguma agitação na porta de embarque com o propósito de obter informação. A TACV sem se quer falar uma palavra para estes, chama um grupo de piquete da Policia Nacional, com mais de 14 elementos (alguns até com coletes a prova de bala) por suposto perigo dos passageiros virem a bloquear o voo do senhor ministro. Na presença da policia os passageiros explicaram que apenas pedem que a TACV lhes informe do seu voo para Mindelo, e o porquê de estar a haver agora um voo para mesmo destino. TUDO ISTO PASSADO NA PRESENÇA DO SENHOR MINISTRO MANUEL INOCÊNCIO SOUSA, CUJO SEU COMPORTAMENTO FOI PASSEAR DE UM LADO PARA OUTRO, COM AS MÃOS NOS BOLSOS, ENQUANTO TODA A ALGAZARRA SE PASSAVA. Depois dos passageiros cansarem de se fazer explicar que apenas queria informações, limitaram-se a se recolher num canto e bater palmas para aquele voo que se ia realizar com o senhor ministro. Quando este passava pela porta de embarque recebia palmas e menção: INOCÊNCIO! INOCÊNCIO! INOCÊNCIO!

MEIA VOLTA NO AR

Depois da confusão e partida do voo do senhor ministro, os passageiros que eram supostos viajarem desde às 15h eram encaminhados a fazer novo check in, cuja hora do voo, desta feita, se indicou vir a ser 00h00. Dez minutos depois, mudam a hora para 00h40. Mais dez minutos passados, fica-se a saber de que o voo do senhor ministro tinha voltado para trás por avaria. JUSTIÇA SEJA FEITA! DEUS TÉM! Eram as palavras de entre os passageiros estafados.

DESFECHO

Importa dizer de que viajava com destino a S. Vicente, NO VOO VR 6021, TURISTAS FRANCESES, AMERICANOS E ESPANHÓIS, EMIGRANTES EM FÉRIAS A CABO VERDE, EMPRESÁRIOS, EXECUTIVOS E VÁRIOS OUTROS CIDADÃOS DESTE PAÍS. Depois do incidente do regresso, acabam por informar a todos, já às 23h de que os voos tinham sido todos cancelados. Mandam todos recolher suas malas e aguardar lá fora. Todos o fazem, o aguardar lá fora demora 1 hora sem ninguém dos TACV. Depois um funcionário dos TACV aparece numa camioneta que começa a escoar o pessoal para residenciais e pensões da cidade para dormir, pois o regresso talvez seria de manhã por volta das 09h30. Perguntado ao funcionário e refeição, não podemos ter? a resposta foi: Eu a mim só me mandaram vos alojar, a alimentação não foi referido e não me compete. Assim se seguiu alguns, principalmente nacionais residentes e originários da Praia (curioso porque a casa deles é ao lado), OUTROS, COMO TURISTAS: FRANCESES, PORTUGUESES E ESPANHÓIS FICARAM NO AEROPORTO, POIS PREFERIRAM DORMIR NO CHÃO DO QUE IR PARA UMA PENSÃO AEROLINES E OUTRAS SIMILARES.